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foto mais amor por favor

Estou na fila do caixa no supermercado. Na minha frente, já no caixa, uma pessoa passando suas compras. Entre eu e ela, um carrinho cheio, aparentemente sem dono. Aguardei a pessoa no caixa terminar e perguntei se o carrinho era dela. Resposta negativa. Olhei em volta e fui afastando o carrinho para passar as minhas compras. Nisso, chegam os donos do carrinho. Um casal de senhores, com um pacotinho de amido de milho na mão, expressões desconcertadas no rosto. Pedi desculpas e recoloquei o carrinho deles na minha frente. Profusas desculpas. Um não achara o amido de milho, o outro foi ajudar, deixou o carrinho alguns minutos, etc. E um grande espanto pela minha compreensão em deixá-los continuar à frente. E assim começou o assunto: como as pessoas hoje em dia estão impacientes, nervosas, bravas. Não há mais educação, falta gentileza.

Mais tarde, estacionando em uma destas lojas gigantes de esportes, presenciei uma cena bizarra. Uma pessoa aguardando vaga para estacionar. Chega outra e, entrando no seu carro que estava parado em uma vaga de deficientes, solta o seguinte: “estou saindo, estacione aqui”. Pelo que ouve de volta: “desculpe, mas não sou deficiente”. Gritos e xingamentos. Do primeiro, o que estava saindo.

Na mesma semana, vi uma senhora tentar embarcar no trem do metrô e ser empurrada e xingada por outro senhor, porque estava “demorando muito”. E novamente surgiu o assunto, entre todos ali, da falta de educação e gentileza, da impaciência e do nervosismo de todo dia.

Para completar, dias depois vivi uma cena constrangedora (não para mim) no trânsito. Estava dirigindo por Pinheiros e diminui a velocidade para procurar um lugar onde nunca tinha ido, do qual só tinha o número da casa. De repente, a pessoa de trás buzina longamente e, ao passar por mim, me manda um ‘dedo do meio’. Cena normalíssima neste nosso atual cenário paulistano – não fosse uma pessoa conhecida. Que, aliás, ficou super sem graça quando me viu.

Enfim, estórias que serviram para me fazer pensar em um assunto que tem incomodado bastante: a questão da educação. Não estou falando só de boas maneiras. Mas também da educação civil, do comportamento em sociedade, do senso de coletividade. E mais ainda, da gentileza, da tolerância com os enganos e erros do dia a dia.

Não há dúvida que em um país onde as coisas não funcionam direito e há um alto grau de impunidade, as pessoas fiquem mais inseguras e tendam a brigar mais pelos seus direitos, a fazer justiça pelas próprias mãos. A sensação é de desamparo, de estar por sua conta e risco. Mas acho que a falta de educação e a intolerância dos paulistanos já está atingindo um nível epidêmico. Já estão entranhadas de tal forma no nosso cotidiano que achamos normal buzinar a torto e a direito, por exemplo, porque alguém demorou um pouquinho para sair com o carro no semáforo.

Morei fora de São Paulo por quase 15 anos. Voltamos no ano passado e confesso que, neste primeiro ano de volta, entrei com tudo no clima bélico da cidade. Não levava desaforo para casa. Tentava – inutilmente claro – educar os motoristas e pedestres pelas ruas de São Paulo. Virei fiscal das vagas de deficientes. E por aí vai. Toda uma gama de neuras de procurar educar as pessoas para viver melhor em sociedade. Cansei.

Acho que o segredo para isto tudo melhorar está também em um comportamento aparentemente contrário. Não digo que virei uma pessoa acomodada, que aceita os desmandos da anti-cidadania. Mas estou mais tolerante. Mais paciente. Mais bem-humorada.

Continuo recebendo diariamente fechadas e buzinadas. Mas agora respiro fundo e presto atenção na música que toca no rádio. Tento ser mais leve.

A pessoa que me deu um ‘dedo do meio’ sumiu. Tudo bem. Faz parte daquele grupo lamentável de pessoas que é muito educada e gentil com os amigos. Ou nas situações normais. Mas vira um touro bufante quando está ao volante de um carro. Quando o garçom traz o prato errado. Quando alguém entra correndo na sua frente no metrô. Quando o manobrista demora para trazer o carro. O quando alguém deixa um carrinho de supermercado desatendido na sua frente 🙂

Estas situações, infelizmente, são corriqueiras e vão acontecer, volta e meia. E em algumas ocasiões você até vai ter razão. Mas não é motivo para perder a calma. Para ser grosseiro. O mundo está precisando de mais educação, mas não só. Também de mais calma, mais tolerância, mais paciência, mais gentileza. Se todos fizerem um esforço para refletir a respeito, já teremos um mundo um pouquinho melhor. Mais amor, por favor.

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Sempre que contava que estava indo ao  Peru, tinha alguém para dizer “ah, você vai comer muito bem lá!”

De fato comi muito bem no Peru. Não só em restaurantes caros, mas em botecos e lanchonetes – no caso, cevicherias, sangucherias e anticucherías.

Mas não é só. Conheci um país apaixonado por comida e pela culinária.

Um país feito de comida muito boa, variada, colorida e criativa. Um país com alma gastronômica.

Claro que há outros! Ninguém questiona a França, a Itália, a Espanha. Mas na América Latina acredito que o Peru é um caso único. Quase todo peruano com quem conversei, de guias turísticos a taxistas,  é um entusiasmado por comida. Desfiam receitas, contam dos hábitos de comida na família, o que comem nas festas e têm na ponta da língua um restaurante para indicar.

E fiquei pensando no porquê desta paixão toda. Como foi que este país  firmou este inconsciente coletivo gastronômico tão forte. Bom, tenho cá a minha teoria. De leiga, claro.

Ceviche do Astrid & Gastón, o melhor.

Gastón Acurio

Começo pelo fim, que aqui é o Gastón Acurio. Muitas das pessoas com quem conversei no Peru acreditam que Gastón Acurio é o grande responsável por este boom gastronômico do país. Não só na sua função de chef e dono de restaurantes, mas também pelo seu papel social. A  história do Gastón Acurio é muito interessante.  Seu pai, advogado por formação e político  de carreira, queria ver o filho sucedendo-o. Mandou-o para a universidade em Madri para estudar Direito.  Na Espanha, Gastón conheceu Juan Maria Arzak e se apaixonou pela gastronomia. Largou a faculdade de Direito e acabou no Cordon Bleu em Paris. Ali se formou e voltou ao Peru em 1994 com sua esposa Astrid. Seu sonho era sofisticar a culinária peruana e o cenário gastronômico em Lima. Para tanto, abriram um restaurante francês, o Gastón & Astrid.

“Que sentido tiene la gastronomía peruana, sino puede contribuir al desarrollo del Peru, que sentido tiene una gastronomía peruana conviviendo con desnutrición, hambre y desigualdad de justicia, no tiene sentido”  (Gastón Acurio)

Mas aí que vem a parte bacana. Gastón começou a viajar pelo Peru. E começou a perceber a riqueza que tinha em mãos. Uma quantidade imensa de ingredientes diferentes. Uma história culinária rica, variada, espalhada pelos mais diversos cantos do país. Começou a explorar a culinária nativa e a fazer parcerias com produtores locais.

Em 2007 abriu uma escola superior de culinária em Pachacútec, distrito na periferia de Lima.  Empresas privadas peruanas e ONGs espanholas ajudaram a financiar o negócio. A mensalidade do Instituto de Cocina Pachacútec gira em torno dos 60 soles (cerca de R$ 50) enquanto escolas do mesmo nível chegam a ter mensalidades de dois mil soles. Há também uma política de empréstimos estudantis. Gastón Acurio arrastou com ele outros chefs de cozinha, outros empresários.

Hoje, o Peru tem mais de 40 escolas superiores de gastronomia espalhadas pelo país. É o único país da América do Sul que tem um instituto Le Cordon Bleu. Muita gente simples vem aprendendo e encontrando sua carreira nesta área.

Mercado de Surquillo, em Lima. Tem de tudo mesmo!

Diversidade climática

O segundo aspecto importante é que o Peru é um país privilegiado pela variedade de microclimas. Esta variedade traz uma grande riqueza de ingredientes. Claro, o Brasil também é assim. Mas pensem no tamanho do Peru em relação ao tamanho do Brasil. Imaginem sair de São Paulo e em uma hora de voo chegar aos Andes ou à selva amazônica. E ter gente no país todo preocupado em resgatar e explorar ingredientes locais. É mais ou menos isto.

E o Peru tem três fatores determinantes nesta história. O primeiro são as correntes marítimas. A  Corrente de Humboldt, de águas frias ricas em plâncton, vem do Pólo Sul. Do Norte vem a corrente quente proveniente do Pacífico Central, o famoso El Niño.  As águas frias ao chegar na costa peruana recebem insolação tropical, se aquecem e afloram. Na superfície se acelera o processo de fotossíntese e o fitoplancton se torna mais nutritivo, iniciando uma cadeia alimentar que faz do mar peruano o mais produtivo do planeta.

Já na Cordilheira dos Andes uma grande quantidade de rios abrem espaços pelas montanhas. Alguns vão para o Pacífico e outros à foz do rio Amazonas. A região é muito rica em recursos minerais e formam-se vales com terras férteis pra a agricultura. A variedade de altitudes permite que se desenvolvam cultivos muito variados. Por fim, o Peru tem a Amazônia, região com a maior biodiversidade do planeta. Tudo isto muito próximo, com grande intercâmbio de culturas e experiências.

Terraços de agricultura no sítio arqueológico de Pisac.

Finalmente, os incas

Mas acredito que há algo mais que faz este país amar tanto a comida. A base está lá, mas e a alma? Fui aos poucos pensando no assunto e após visitar Machu Picchu cheguei ao terceiro ponto da minha teoria. Nosso guia em Machu Picchu era um verdadeiro professor de História, que conseguiu afastar nossa ‘lente cultural’ e abrir nossos olhos para outras formas de pensar. E de repente me vi pensando que está nos incas, este povo que tanta influência tem no povo peruano, o terceiro elo.

Pois bem, explico. Os incas são um povo primitivo mas, ao contrário da maioria deles, não um povo guerreiro. Praticamente não existem armas ou adereços de defesa deixados por eles. Não existem fortalezas. Praticamente não há registros nas cerâmicas (que registram TUDO o que os incas faziam, inclusive sexo e lavar o cabelo, por exemplo) de guerras ou batalhas. Mas como pode ser assim se o Império Inca conquistou em menos de 100 anos uma superfície de um milhão de quilômetros quadrados, do Equador ao norte da Argentina e do Chile? Pois aí que está a beleza da coisa.

Os incas eram, por natureza, um povo essencialmente agrícola. Não há fortes, mas há uma quantidade incrível de ‘terraços’ para agricultura, o sistema de cultivo por curvas de nível. Já se sabe, por exemplo, que Machu Picchu não era uma fortaleza e nem uma cidade propriamente dita, mas um santuário onde moravam nobres e sacerdotes, e onde se praticava a religião e a ciência. Que eram a mesma coisa. Uma ciência voltada essencialmente à previsão do tempo e ao desenvolvimento de técnicas agrícolas.

Em Machu Picchu há um calendário de pedra que estuda a insolação. Lá foram encontradas sementes de milho geneticamente modificadas, entre outras. Acredita-se que foram eles que transformaram as batatas originalmente pequenas em batatonas e o milho de grãos pequenos e em milhos de grão gigante. Os incas desenvolveram uma técnica (adotada até hoje) que permite desidratar batatas, que assim chegam a durar anos próprias para o consumo. Os incas  adoravam os deuses que influenciavam diretamente esta prática, como o Sol, a Lua, a Água, os Raios e os Trovões.

E como conquistaram tanto território desta forma pacífica? Sempre tinham excesso de produção agrícola. Seus depósitos de comida estavam quase sempre cheios. E era assim que faziam. Conquistavam outros povos pelo estômago 😛

Enfim, quem gosta de comer e explorar experiências gastronômicas, tem no Peru um prato cheio. Sem trocadilhos 😉

 

 

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Na semana passada, o Theo contou da parte da sua viagem com os avós a Veneza. Hoje, ele conta sobre Firenze, Pisa e Lucca 🙂

 

7/7/12 – 5º dia e primeiro em Firenze

“Saímos com uma lancha para a piazzale Roma e pegamos um trem para Firenze. Chegamos e fomos para o hotel. Do hotel nós fomos ao mercado e fui embora para a ponte Vechio onde vimos várias casas vendendo bugigangas e aí vimos a réplica do Davi de Michelangelo. Voltamos para o hotel jantamos e dormimos”.

8/7/12 – 6º dia

“Neste dia fomos ao museu Academia onde se encontra o verdadeiro Davi de Michelangelo. Vimos a parte musical do museu onde tinha os primeiros pianos e tinha também três Estradivarius e etc. O Davi era perfeito em sua mão havia os músculos, veias, cartilagens e etc. Era magnífico. No resto da tarde voltei ao hotel e: ZZZZ e acabei o meu livro”.

9/7/12 – 7º dia

“Hoje fomos a Pisa e Lucca. Primeiro em Pisa fomos a famosa torre para olhala de perto então em seguida fomos ao batisterio que tem uma acustica perfeita. Logo andamos mais um pouco e fomos subir a torre de Pisa (mas só eu e minha avó). Quando chegamos ao topo vovó ficou meio tonta e sentou, então eu dei uma volta pelo topo da torre… isso. Em Lucca almoçamos e fomos andar de bicicleta na muralha que foi muito legal. E minha avó caiu quando estava descendo a muralha de bicicleta. E é isso”.

10/7/12 – 8º dia

“Hoje nós fomos passear no palazzo Pitti, foi legal e tudo mais. A tarde descansei e saímos para passear rapidinho. Fomos jantar no restaurante Buca Mario onde comi um macarrão com tartufo tão bom que foi a coisa que mais gostei de comer na minha vida… tão bom que parecia um presente dos deuses. Até logo e tchau”.

 

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Neste post expliquei como surgiu a ideia dos diários de viagens dos meus filhos.

Nestes posts, meu filho Bruno conta como foi sua viagem para a África do Sul, Zâmbia e Zimbábue.

Agora chegou a vez do Theo, que em julho passado foi para a Itália com os avós, contar um pouco de como foi sua viagem. Todos os textos – literais – são do próprio Theo e as fotos em que ele não aparece também. Esperamos que gostem 🙂

 

Diário de viagem do Theo – Itália

 03/07/12 – 1º dia 

“Hoje nós chegamos em Frankfurt (Alemanha) e pegamos a conexão para Veneza. Chegamos aqui as 6:00. Pegamos um taxi e depois pegamos um barco para o hotel. Nos arrumamos e fomos jantar no Café Florian.  No café que jantamos tinha música: violino, flauta, piano, violão selo e sanfona. Era muito legal, principalmente a sobremesa… petit gateou.”

 04/07/12 – 2º dia 

“ Hoje acordei cansado mas logo ja me recuperei. Logo depois do café fui passear de gôndola… estava um calor que nem aproveitei direito. Depois do passeio fui almoçar, comi um ravioli muito bom. Depois de almoçar fomos andando entrando em lojas e coisa e tal passamos pela ponte de Rialto e quando estávamos voltando passamos na Piazza de San Marco onde tinha a igreja e o palazzo Ducalle e o leão de San Marco. Resolvemos tomar um café eu pedi um suco de limão. Só que esse suco era limão espremido puro e não deu para beber. Voltamos para o hotel saímos pra jantar e é isso”.

 

05/07/12 – 3º dia 

“Hoje nós fomos a Murano. Chegamos e já começamos a ver vidro, e vimos como o vidro é fabricado e tudo isso… mas nesse passeio você tem que gostar bastante de vidro pois no museu do vidro só se vê vidro, vidro vidro vidro… vidro… vidro. E lojinhas com vidro. E mais lojinhas com vidro. Foi legal mas na verdade não sou tão fã de vidro, mas gostei”.

 06/07/12 – 4º dia e último em Veneza

“Este é o meu último dia em Veneza. Fizemos um tour pelo palácio Ducalle. Passeamos pela ponte dos Suspiros foi muito legal tomamos um bom gelato e ai voltamos para o hotel fazendo nosso último passeio de gôndola. Fomos jantar no Hard Rock mas estava lotado jantamos num lugarzinho e depois voltamos ao Café Florian para tomar sobremesa e ouvir a orquestra foi legal e triste ao mesmo tempo adeus Veneza adeus gôndola adeus tudo de bom e legal que vi aqui espero voltar um dia”.

 Semana que vem tem mais 🙂

 

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Em grupos de discussão no Facebook, que reúnem pessoas que gostam  muito de ler e de viajar, surgiu o tema dos livros de viagem. Diria que são duas as categorias. A dos livros de viagem propriamente ditos, ou os diários de viagem, que relatam viagens, percursos, trilhas. E outra dos livros que nos levam a viajar por  culturas diferentes.  Como leitora e viajante contumaz, gosto muito dos dois tipos.

Pois esta primeira categoria de livros me lembrou muito do Daniel Piza, um cara sensacional que, infelizmente, foi embora muito cedo deste nosso mundo. Tenho muita saudade dos textos do Daniel, um cara extremamente culto e bastante maduro para a idade, que escrevia textos sempre muito ponderados.

Há um do Daniel, em especial, que tirei do jornal O Estado de S. Paulo e pendurei junto a outros textos queridos no meu mural no escritório. Este texto, do qual recortei sem querer a data, foi escrito por ocasião da Copa do Mundo na África do Sul em 2010 e chama-se O vento do mundo.

Como sempre, um baita texto do Daniel. Do qual divido com vocês algumas passagens.

“É uma expressão que li no jornalista H.L. Mencken, “to feel the wind of the world on your face”, quando falava da necessidade do jornalista e escritor  de ver as coisas por si próprio, de se mexer e viver experiências que não fazem parte de suas origens sociais e/ou geográficas.”

“…qualquer pessoa só terá a ganhar se sair do seu mundinho, abrindo a cabeça para outras realidades, ainda que incômodas. Somos condicionados de muitos modos pela criação que tivemos, o que significa que precisamos nos recriar para nos ver melhor, e nada como ter contato com outras classes e culturas para perceber os condicionamentos.”

“A boa narrativa de viagem não é escrita com facilidade. O escritor precisa vencer boa parte dos preconceitos e fazer um novo encontro entre a sua subjetividade e aquilo que objetivamente viu e viveu; precisa combinar o pessoal e o informativo, o ponto de vista e o desprendimento, a crônica e o ensaio.”

Daniel Piza, no texto, indica uma série de livros de viagem bacanas. São eles:

    • Ébano, de Riszard Kapuscinsky: “Kapuscinsky viajou décadas por quase todos os cantos da África, e essa coletânea é a melhor introdução ao seu trabalho.”
    • O Safári da Estrela Negra, de Paul Theroux: “Theroux conta uma viagem inacreditável que fez: desceu do Cairo até a Cidade do Cabo, nos mais variados meios de transporte, conversando sempre com os habitantes.”
    • Sir Richard Francis Burton, de Edward Rice: “biografia do explorador e erudito Sir Richard Francis Burton, uma narrativa poderosa de sua busca pela foz do Nilo e sua conversão ao islamismo”.
    • Arabian Sands, de William Thesinger: “Thesinger virou lenda com suas viagens e seu estilo; sua obra mais famosa, Arabian Sands, é estudada em todos os cursos do gênero”. (sem tradução para o português)
    • Journey without maps, relato de Graham Greene sobre a Libéria. (sem tradução para o português)
    • African Diary, de Bill Bryson. (sem tradução para o português)

Claro que estes livros foram para a minha loooonga lista de livros para ler. Paul Therox é bastante conhecido e já foi recomendado por muita gente. Bill Bryson é um escritor do qual já li outros livros e gosto muito.

Mas este assunto ainda rende muita conversa. Nas próximas semanas, uma lista compilada por mim e por amigos de bons livros de viagem. E, mais para frente, recomendações também de livros que viajam por outras culturas, tão bacanas para ler antes de ir para algum lugar.

Saudades, Daniel.

 

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Neste post  contei como surgiu a ideia da viagem pela África do Sul do meu filho Bruno com os avós, quando estava com 10 anos de idade, em julho de 2008.

Neste post está a primeira parte da viagem, que conta do safári em uma reserva no Kruger National Park.

Aqui, para vocês, os passeios em Cape Town, em Victoria Falls na Zâmbia/Zimbabue e em Johannesburg.

As fotos e textos (literais) são do próprio Bruno.

 

CIDADE DO CABO

12 de julho

“Acordei 7 h e 30 min e com sono desci para o café da manhã. Me espantei de tanta coisa que vi. Tinha: frutas, pães doces e salgados, cereais, todo tipo de sucos, leite, iogurte e geleia. Só que também tinham coisas estranhas como: salmão, frutas em conserva, sushi, feijão e até carnes. Depois de muito tempo nosso guia veio nos buscar. Seus pais eram portugueses, nasceu na Angola, foi criado no Brasil e mora em Cape Town. Primeiro levou a gente para um centrinho de vendas, depois fomos de barco até a ilha das focas. Achei que não tinha graça, pois não havia visto foca nenhuma, mas de repente apareceram mais de 100 focas m cima de uma pedra. Fiquei impressionado! Na volta fiquei na parte de baixo do barco, dava para ver dentro dágua. Chegamos logo na marina. Seguimos para o Cabo da Boa Esperança onde vimos lindas paisagens. Subimos de bondinho elétrico até a parte de cima. Lá vimos um grande farol já desligado e a ponta do cabo. Comemos em um restaurante horrível.”

13 de julho

Fomos para a Table Mountain e quando estávamos entrando na fila o homem disse: – A montanha está fechada. Foi uma pena que não entramos, mas fomos para o aquário. Lá eu vi: caranguejos, lagostas, estrelas do mar, moréias gigantes, pexes microscopicos, água-vivas, tubarões e até pinguins! Comemos de jantar carne de avestruz e voltamos para o hotel.”

ZÂMBIA/ZIMBABUE

14 de julho

“Acordei ás 4 horas da manhã, já me arrumei e sai para o aeroporto de Capetown sem tomar café. Peguei um avião para Johanesburg de uma companhia que não conhecia. Um vôo ótimo, chegamos lá às 7 horas. Uma moça nos guiou para a área dos vôos internacionais. O vôo partiu às 10 h e 20 min, demorou 2 h. Chegamos em Livingstone, fomos para o hotel e partimos para as cataratas Victoria Falls. Foi uma alegria só, as cataratas eram magníficas e tinham um arco-íris fixo. Voltamos para o hotel e fomos jantar em um restaurante ótimo. Chegamos mortos de sono e fomos dormir rapidinho.”

15 de julho

“Acordei 5 horas da manhã e fui para a recepsão. O café da manhã todo embalado e nós esperando o Guideon chegar. Ele chegou na hora certinha, 6 h. Tomamos café da manhã dentro do carro e fomos para a alfândega, pois íamos passar da Zâmbia para o Zimbábue para fazer um passeio de elefantes! Veio outro homem nos levar para a fazenda, porque o Guideon tinha outras coisas para fazer. Logo os elefantes chegaram e eu fui correndo para a plataforma para ser o primeiro. Montei no mesmo elefante que minha avó e meu avô foi sozinho. Depois que nós voltamos peguei um pouco de comida e dei para o elefante! Voltamos para a Zâmbia. No hotel almoçamos no bufet. Fomos para o centro de atividades pegar um ônibus para o passeio de barco. Vimos vários hipopótamos, jacaré e dois elefantes na água. O barco era super confortável e fiquei brincando de corrida de barco com o que estava do nosso lado. Jantei no hotel e fui direto para a cama.”

16 de julho

“Bem tarde acordamos e ficamos no quarto um tempão, comi pouco no café da manhã. Depois de escovar os dentes e se arrumar dessemos  para pegar o DVD dos elefantes. Na recepsão tinha um bando de pessoas tocando tambores e dançando. Ficamos sabendo que o vice-presidente ia estar lá, junto com um monte de ministros. Depois de todos os ministros terem chegado passaram muitos policias e por fim o vice-presidente chegou. Foi um tumulto só, os fotógrafos se matando para tirar fotos dele e os guardas não deixavam ninguém chegar perto dele. Fomos para o aeroporto junto com outras pessoas. Passamos pela policia esperamos e voamos para Johanesburg.”

JOANESBURGO

17 de julho

“5 h e 30 min já estava acordado, mas meus avós não. Só desci 7 horas para tomar café da manhã. Nossa guia a sra. Maria nos levou para a mina de ouro. Vimos ela parte por parte, o filme, as casas, a mina, os brinquedos e como o ouro é feito. Voltamos para o hotel e almoçamos e passeamos no shopping. Comprei um conjunto de rolhas do Big 5 para os meus pais. Jantamos depois no restaurante do hotel onde pedi um hamburger. Cheguei ao quarto e já fui dormir.”

“Este foi meu primeiro diário de viagens, espero fazer outros!”

BRUNO

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Neste post na semana passada contei como surgiu a ideia da viagem pela África do Sul do meu filho Bruno com os avós, quando estava com 10 anos de idade, em julho de 2008. Aqui, trechos do seu diário de viagem sobre o safári fotográfico em uma reserva no Kruger National Park.

As fotos e textos (literais) são do próprio Bruno.

GAME RESERVE NO KRUGER PARK

7 de julho de 2008

“Nosso desafio era encontrar os Big Five. Já tínhamos achado três: o rinoceronte primeiro, depois o búfalo e por último o leopardo. Fomos lanchar. Uma comida boa! Continuamos a explorar e encontramos vários tipos de animais como lebre, hipopótamos, macaquinhos, lagartos, impalas e kudus. Voltamos super felizes. Até a próxima.”

8 de julho de 2008

“Acordei com uma batida na porta. TOC! TOC. Fomos para o café da manhã, escovamos os dentes e saímos às 8h. Vimos alguns bovídeos e achamos uma girafa, ela se escondeu no meio de uma árvore. Só deu para ver o pescoço. Bem depois demos de cara com um leopardo. Observamos bem, mas depois de pouco tempo o veículo quebrou. Não vimos o leopardo, mas bem atrás de nós, estava um leão esperando uma presa. Tivemos que entrar em outro carro e só depois vimos. Ficamos espantados! Na volta estávamos passando do lado do rio quando de repente apareceram três elefantes do lado do rio. Completamos os Big Five. A noite chegou e estávamos em busca de um búfalo, no meio do caminho apareceu uma hiena e enquanto tirava as fotos o búfalo apareceu, foi fantástico. Voltamos, jantamos no Boma e agora vou dormir. Adeus.”

 

9 de julho de 2008

“A voz do meu avô me acordou, dizendo que estava na hora de levantar. Quando saí para o game queria ver o elefante, coisa que não foi fácil de achar. Vimos o búfalo, o leopardo, o leão e o rinoceronte. Amei todos! Novamente faltando o elefante. Procuramos e encontramos. Antes achava ele o mássimo, mas quando vi de perto não achei tão legal. Chegou a hora do almoço, tudo normal, só pedi um chá que não gostei. A tarde chegaram mais 2 integrantes. Danx, o pai e Ariela, a filha. Vieram a Inglaterra e são muito simpáticos. Já que eles eram novos, paramos para ver animais mais simples como impalas e kudus. Mais tarde vimos um grupo de girafas e depois do lanche da tarde um de elefantes. Na volta vimos um carro parado olhando alguma coisa e ficamos curiosos para saber o que era. Vimos um grupo de leões com filhotes, foi facinante. Jantamos no Boma e filmamos as dançarinas.”

10 de julho de 2008

“Acordei muito sonolento, mas mesmo assim fui para o passeio. Logo no começo, vi três mães leoas cuidando dos filhotes, foi imprecionante, na hora do almoço, fiz um prato que um vegetariano não iria gostar. Vimos grandes bichos à tarde. Grandes mesmo! E a noite vimos animais pequenos como esquilos ou castores. Jantamos no Boma, comemos carne de kudu e carneiro, quiche de queijo, sopa de cogumelo e legumes. Dormi rapidinho, pois estava com muito sono.”

11 de julho de 2008

“Subi para tomar café da manhã e saímos. No passeio vimos: girafas com filhotes, uma manada gigantesca de búfalos, zebras com filhotes e quatro hienas comendo ossos de uma girafa que um leão tinha matado. Foi uma manhã ótima e se despedir do Mala Mala não foi fácil, tinha gostado tanto. Voamos do Mala Mala para Johanesburg e de lá para Cape Town.”

Semana que vem tem mais 🙂

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E tudo começou quando os avós, viajantes de carteirinha, tiveram uma ideia muito bacana. Combinaram que cada neto, assim que completasse 10 anos de idade, escolheria um destino no mundo para onde quisesse ir e os avós o levariam nesta viagem 🙂

O primeiro neto, o Bruno, viajou em julho de 2008. O destino escolhido por ele foi a África do Sul. Na viagem, um safári fotográfico em uma reserva no Kruger National Park, passeios em Cape Town e até uma ida a Victoria Falls, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe, com direito a passeio de elefante e tudo.

Nós pais demos de presente ao Bruno, antes dele viajar, um caderno onde pudesse anotar suas impressões. Um diário de viagens. E todos os dias, depois dos passeios, o Bruno escrevia no seu diário. Nele também colou cartões postais, fotos e até folhas de árvores e penas. O diário ficou muito legal, foi lido e relido e guardado com o maior carinho.

Lembrei do diário de viagens do Bruno agora por conta de outra viagem. Em julho de 2012 é a vez do Theo. E como ele já esteve na África do Sul conosco, resolveu escolher um destino diferente para viajar com os avós. Puxamos a sardinha para Paris, pois achávamos que seria um local com atrações turísticas mais lúdicas, como os parques da EuroDisney e o Parc Astérix, as múmias no Louvre e a torre Eiffel. Mas ele bateu o pé e ficou firme no destino escolhido: Veneza 🙂 Assim, em breve, o Theo e seus avós embarcam para sua viagem por Veneza, incrementada por uns dias em Firenze, com direito a conhecer a torre de Pisa e passear de bicicleta em Lucca. E é claro que o Theo também ganhou de presente seu diário de viagens.

Pois foi a viagem do Theo que me deu a ideia de repartir com vocês um pouco destas viagens, aos olhos dos meninos.  Começando pela viagem do Bruno. Conversei com ele, que hoje tem quase 14 anos, e ele topou.

Assim, nas próximas duas semanas, um pouco do passeio pela África do Sul/Victoria Falls pelo Bruno, para vocês 🙂

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Acordei cedo, nem ouvi o despertador tocar. Li o jornal, tomei café e liguei o computador. Nada. Nenhum som, nenhuma luz. Tudo morto. Já com vontade de chorar, ligo para o namorado para pedir ajuda. O telefone também mudo. Espumando de ódio, volto à cozinha para interfonar para a portaria, claro que deve haver algum problema com a rede do prédio. O interfone mudo me faz ultrapassar a preguiça e me visto para descer. O Paulo, zelador, desnorteado: “Ô Dona Marina, eu vi mesmo que a manhã estava muito calma, sem interfone tocando, mas aí o pessoal já começou a descer desesperado! Ninguém sabe ainda o que está acontecendo, mas é uma pane geral”.

Pego o carro e vou ao dentista. A Débora me avisa: “Dona Marina, a Dra. Alessandra já deve estar chegando, não consigo falar no celular dela, ela não vai gostar porque os computadores, o telefone, tá tudo sem funcionar!”. A Alê chega e entro na sala, estamos indignadas e repetimos várias vezes o que parece ser o bordão da Copa, “não estamos preparados”.

Saio e vou para o escritório. Caos total. Não adianta ficar ali mesmo, resolvo ir pessoalmente ao fórum ver os processos que precisam ser vistos hoje. Achei que o trânsito estaria péssimo, mas as ruas estão tranquilas. Estaciono e atravesso a Praça João Mendes. Parece tão mais limpa do que da última vez em que vim aqui… Encontro a Ana e outros amigos advogados que tiveram a mesma ideia de vir pessoalmente ao fórum. Em meio às reclamações e elocubrações, fico sabendo que nasceu o bebê da Mara e do Daniel, que a Beta está grávida de um menino, que a Norma casou e está em lua de mel na Itália e que a Joana passou no vestibular, em primeiro lugar. Tomamos um café sem pressa, ninguém tem muito o que fazer, e resolvemos visitar o Henrique na Liberdade ali ao lado. Saio do centro às 5 da tarde, feliz, e volto ao escritório só para deixar a papelada (coisa mais antiga) e dar as noticias dos processos para o meu sócio. Trabalho um pouco numa contestação (como o tempo rende sem interrupção de email, Twitter e Facebook) e resolvo visitar meus pais.

Chego lá e minha mãe: “Filha, você está viva! Estava tão preocupada”. “Por que mãe?”Ah, porque a gente fica sem conseguir se comunicar e fica nervosa né?”. Sento para jantar com eles, estava com vontade mesmo desta sopa de lentilhas da minha mãe, está um frio hoje. Tomo um vinho com meu pai e conversamos sobre a vida, a família. Eles me contam que resolveram sair da casa, que já ficou grande demais para os dois, e que vão procurar um apartamento. Parecem felizes com a decisão. Contam da próxima viagem. Não tenho pressa nenhuma em ir para casa, vazia das redes sociais.

Vou para casa finalmente, tomo um banho e mergulho no livro que estava parado e surpresa, é muito bom. Vou dormir. Acordo com o despertador do celular e por um momento esqueço do que aconteceu no dia anterior. Entro no Twitter e o assunto é só este, a pane geral das comunicações. Ligo a TV e fico sabendo que o problema afetou o mundo todo e que vai gerar bilhões em prejuízos.

Já saio atrasada e esbaforida porque perdi tempo demais no Twitter. No escritório, todo mundo com teorias do que pode ter acontecido no Dia da Marmota geek. Faço coro com as minhas impressões, mas já com um pouco de saudades de ontem.

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