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Muito se falou em comida de rua no ano passado por aqui, principalmente depois de São Paulo ter (des)organizado o evento Chefs na Rua durante  a 8ª edição da Virada Cultural da cidade de São Paulo. O evento, no qual 22 chefs de cozinha se propuseram a cozinhar comida bacana e barata em barraquinhas na rua, para o deleite da população paulistana, teve tantos problemas de logística que o caldo – ou a galinhada – literalmente entornou.

Mas em Chicago, ao contrário do aconteceu em São Paulo,  o prato foi muito bem servido. Em um evento chamado Taste of Chicago, no qual estivemos na sua edição 2012, que aconteceu em julho passado na cidade. Seguindo uma dica quente da Nat do delicioso  Sundaycooks, fomos conferir o maior festival de comidas em local público do mundo.

No Taste of Chicago, que dura cinco dias, restaurantes da cidade montam suas barracas de rua e oferecem aos moradores e visitantes uma forma fácil e barata de provarem suas comidas e as especialidades de grandes chefs da cidade.  Estavam lá na edição de 2012, por exemplo,  a famosa deep pizza do Bacino’s e os deliciosos cheesecakes do Eli’s.

As barracas das comidas são armadas ao longo de uma rua dentro do Grant Park, que fica em uma região central da cidade. Além da facilidade de acesso, os visitantes podem usar a estrutura de banheiros e áreas de descanso e lazer do parque.  No Taste of  Chicago, além das barracas de comidas, há um palco para pequenos shows que acontecem diariamente, um jardim com um wine bar, locais com bancos e mesas de madeira ou cimento e gramado para quem quiser fazer piquenique. Há áreas de alimentação perto de parquinhos e espaços de lazer para a criançada brincar enquanto os pais se deliciam com as comidas. O mapa do evento dá uma boa ideia da organização do festival.

Outro ponto interessante é a forma de pagamento, cópia do sistema eficiente das nossas quermesses do interior. As barracas não aceitam dinheiro. Os participantes precisam comprar fichas, que são usadas para fazer o pagamento das comidas e bebidas nas barracas, facilitando o troco e evitando que as pessoas que servem nas barracas manuseiem dinheiro. No evento, um bloco com uma dúzia de fichas saía por US$8 (ou por US$7 para quem comprasse antecipadamente). Os pratos maiores  custavam em torno de 9 ou 10 fichas, os acompanhamentos saíam por 6 ou 7 fichas e os refrigerantes por 4 fichas. Outra ideia muito bacana: quase todas as barracas vendiam taste portions, ou seja, pequenas porções apenas para degustação, o que permitia às pessoas provarem uma variedade maior de comidinhas. Estas porções de degustação saíam, em média, por 2 ou 3 fichas.

Durante o festival são servidos mais de 300 itens dos menus de mais de 70 restaurantes, que oferecem não só tradicionais comidas  americanas como de vários países, representados por seus restaurantes típicos. Assim, era possível provar de um bom hambúrguer a um goat biryani (carne de bode com arroz, açafrão e especiarias) =P

Quem tiver oportunidade, vale a pena dar um pulo no Taste of Chicago.

E que tal um festival  Sabor de São Paulo? :-D

 

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Como já contei neste post, desta vez nosso tempo em Nova York era muito curto e tivemos que escolher entre as dezenas de opções de comidas de rua na cidade. Assim, ficamos com aquelas que estavam mais próximas do nosso hotel e aproveitamos um final de semana corrido para provar as delícias de alguns dos carrinhos da região.

No Midtown a meca da comida de rua é a Sexta Avenida, em especial as esquinas entre as ruas 43 e 56. Neste pedaço estão estacionados alguns dos carrinhos mais famosos da cidade.

Selecionei alguns entre os mais citados e/ou premiados pelo público nos últimos anos, seguindo indicações do Vendy Awards e de outros guias como o Yelp. Infelizmente, por ser pleno verão e época de férias na cidade, muitos carrinhos não estavam funcionando. Se puder escolher, vá em outra época.

Ficamos sem provar os previamente selecionados El Rey del Sabor,  Daisy May BBQ,  Jamaican Dutchy,  Hallo Berlin e   Carnegie John’s.

Mas conseguimos experimentar as delícias do Trini-Pak Boys, do Kwik Meal, do Byriani, do Moshe’s Falafel, do Kim’s Aunt Kitchen e, claro, do Famous Halal Guys.

Aproveitem e comam conosco :-)

TRINI-PAK BOYS

Comecei meu tour gastronômico de rua justamente na esquina direita da rua 43 com a Sexta Avenida, no carrinho dos Trini-Pak Boys. Os donos são um casal, ela de Trinidad & Tobago e ele do Paquistão. A mistura de cozinhas deu certo aqui. Escolhi o prato de resistência, o Pakistani chicken and rice plate, cujo molho de pimenta tem toques da cozinha de Trinidad, e adorei. Arroz basmati sequinho, frango desfiado e muito bem temperado por cima, um molho de iogurte campeão e um pouco de molho de pimenta. Preço:  US$ 4,00 por um prato que serve uma pessoa. Uma surpresa, não esperava tanta gustosura de tão pouca belezura.  Eles também têm alguns “especiais do dia”, que podem ser um curry ou um chicken tikka masala, que ficarão na vontade. É bom chegar cedo porque formam-se filas e as comidas acabam :-)

KWIK MEAL

Em seguida provei a comida do Kwik Meal, na esquina esquerda da rua 45 com a Sexta. Interessante que, aqui, são dois carrinhos com o mesmo nome, mas só no que está mais perto da esquina – e que coincidentemente tem mais filas – trabalha um chef  “de verdade”, que frequentou escolas de gastronomia e trabalhou no Russian Tea Room, o Mohammed Rahman, vindo de Bangladesh. Dá para sentir seu “grau de celebridade”, já que ele adora posar para as eventuais fotos dos gulosos na fila. Diz o chef do Kwik Meal que seu lamb gyro  não é feito com carne processada de cordeiro como no tradicional shawarma, mas com cubos de cordeiro marinados em um molho de iogurte com papaya verde, cominho e sementes de coentro, entre outros temperos. Provei o lamb gyro e estava mesmo muito bom, cordeiro bem macio e saboroso. Por US$ 9,00 um prato que serve duas pessoas.

BYRIANI

Na esquina seguinte, no mesmo ponto, fica o Byriani, especializado em comida indiana. O dono, Meru Sikder, também vindo de Bangladesh, foi cozinheiro no restaurante do hotel Hilton de New Jersey por oito anos e serve uma comida com ingredientes frescos e de qualidade, tentando replicar a comida de rua das cidades indianas. Eles são famosos pelos kati, que são uma espécie de “taco indiano” feito com pão chapati. Uma delícia mesmo, por US$ 4,00 cada.

 MOSHE’S FALAFEL E KIM’S AUNT KITCHEN

Atravessando a Sexta Avenida, do outro lado da rua 46, ficam o Moshe’s Falafel e o Kim’s Aunt Kitchen. O primeiro, como o próprio nome diz, especializado em falafel, estes deliciosos bolinhos fritos feitos com massa de grão de bico. Não tive coragem de provar o sanduichão gigante de pão pita recheado com salada e vários falafel e fui na mini porção de cinco unidades de falafel. Uma delícia. Crocantes, sequinhos, macios por dentro, acompanhados por um delicioso molho tahini, por apenas US$ 3,75.

Ao lado, o Kim’s Aunt Kitchen é um latino especializado em fish & chips :-)  Escolhi o linguado frito com batatas fritas e embora as batatinhas estivessem ótimas, o peixe estava um pouco encharcado de gordura. Uma pena, pois percebia-se que era peixe fresco mesmo. Preço: US$ 6,50 um prato que serve bem uma pessoa.

DICA:  Seguindo pela rua 46, quase chegando na Quinta Avenida, à direita tem uma praça com mesinhas, cadeira e bancos que é ótima para quem vai se aventurar na comida de rua e quer saboreá-la com um pouco mais de conforto.

 

53TH & 6 AVE E FAMOUS HALAL GUYS

 A jornada gastronômica terminou na provavelmente mais movimentada esquina da comida de rua novaiorquina, da Sexta Avenida com a rua 53. Na esquina do lado esquerdo, dois carrinhos. Um deles, o mais próximo da esquina e sem nome, é reconhecido pela boa comida e pelo slogan “Different. Tasty. Delicious.” Do lado direito, o carrinho de comida mais famoso da cidade, os chamados Famous Halal Guys.  As filas neste lugar são absolutamente gigantescas, mas a qualidade da comida é controversa. Há gente que não acha nada demais e outros que endeusam os pratos deste carrinho. Pesquisei a respeito e, na realidade, os verdadeiros Famous Halal Guys só ficam neste ponto após às 7 horas da noite. Antes, é outra turma que ocupa o mesmo pedaço.

Assim, como era de dia, resolvemos ficar com a comida do lado esqurdo da rua mesmo :-) Se a comida nesta esquina é melhor do que as dos outros locais não sei, mas que os caras são bons de marketing, isto são. Os cozinheiros/vendedores de rua mais simpáticos que encontramos.  Provamos o combo de chicken and lamb rice, que por US$ 6,00 servia bem uma pessoa. Era  gostoso.

Enquanto isto, a fila do outro lado para provar a comida dos “falsos” Halal Guys ia crescendo… :-D

 Do que gostei mais? Acho que do Trini-Pak, mas talvez por ter sido o primeiro, a surpresa que tirou o ranço de que comida de rua é sem graça e sem sabor. Mas também adorei os falafel crocantes, quentinhos e sequinhos do Moshe’s Falafel. E os cubos de cordeiro do Kwik Meal. E o pão macio e fresquíssimo do Byriani. 

Ùltimas recomendações para quem quer se aventurar neste mundo da comida de rua novaiorquina:

  • melhor ir acompanhado se quiser provar vários pratos ou a comida de vários carrinhos. Com raras exceções, as porções são bastante grandes.
  • leve dinheiro trocado para facilitar a vida deles – e a sua também.
  • cuidado com os molhos apimentados – os hot sauces – todos têm e eles são parte importantíssima do seu prato. Porém, peça sempre para colocarem só um pouco, ao lado do prato, pois os molhos são bem fortes e podem arruinar sua refeição.
  • bole uma estratégia prévia de onde vai comer, seja na praça na rua 46 ou mesmo em outro parque, e vá rápido para seu local de piquenique para a comida não esfriar :-)

 Aproveite. E venha me contar suas experiências depois!

 Semana passada teve post com sugestões de lugares bacanas para almoçar em Nova York. Entre restaurantes, mercados gourmet e fastfood, faltou contar para vocês das minhas recentes experiências com a comida de rua novaiorquina. Para começar, algumas informações úteis sobre o assunto.

Só para os fortes :-D

Costumo dizer que comida de rua é só para os fortes.  Isto porque é a comida “BB” –  boa e barata, mas nada bonita. Comer na rua normalmente significa comer ao ar livre e muitas vezes em pé ou sentado num canto ou banco de praça. E receber talheres e um prato de plástico ou isopor. Porém, para quem topa a parada, há um mundo de sabores incríveis e uma comida de alta qualidade por um preço bem justo.

Fazia tempo que eu queria provar as comidas de rua de Nova York, muito além dos onipresentes cachorros-quentes e pretzels das esquinas. E fui pesquisar a respeito. A comida de rua em Nova York, que tem até site exclusivo,  é tão respeitada que é objeto de resenhas em revistas e guias como o Zagat. Existe até mesmo um concurso para eleger as melhores comidas de rua, o Vendy Awards. E um app só para ela :-D

Food carts x food trucks

Há uma diferença entre os food carts e os food trucks. Os primeiros, mais tradicionais, são carrinhos relativamente pequenos que ficam estacionados em um mesmo ponto. Os food trucks, ou caminhões-restaurantes, normalmente estacionam em lugares diferentes a cada dia e oferecem uma estrutura e um menu mais elaborados. Hoje são uma febre, até por conta do reality show televisivo “The Great Food Truck Race”.

O que é halal food

Muita gente se pergunta o que é este termo, halal, que aparece em muitos dos carrinhos na cidade. Halal em árabe significa “permitido” ou “autorizado”. É o termo usado na religião islâmica para identificar as roupas, comidas, comportamentos e outros elementos que estão de acordo com os preceitos desta religião. É equivalente ao termo kosher da religião judaica. Em Nova York, os carrinhos de rua em sua maioria são halal e vendem comidas que respeitam os seguintes preceitos: sem carne de porco ou produtos derivados dela, sem carne de animais carnívoros, sem carne de animais mortos sem obedecer às regras corretas de abate, entre outros.

Onde comer

Há carrinhos de comida espalhados por toda Nova York. Alguns lugares, no entanto, concentram os carrinhos mais conceituados e que oferecem comida além dos simples cachorros-quentes e pretzels. Assim, há focos de comida de rua de qualidade em Downtown, no Midtown, no Queens e no Brooklin.

Como nosso tempo nesta última viagem era limitado, tivemos que reduzir nossas escolhas e decidimos provar as comidas de rua apenas no Midtown, em especial ao longo da Sexta Avenida, uma das mecas de comida de rua na cidade. Infelizmente, por ser verão e época de férias, muitos dos carrinhos que havíamos escolhido neste local não estavam abertos.

Também ficamos apenas com as comidas salgadas, deixando de fora com dor no coração o Wafels and Dinges e o Big Gay Ice Cream. Por fim, também ficaram para outra oportunidade lugares reconhecidos e recomendados que ficavam longe do Midtown: o Sigmund’s Pretzels na frente do Metropolitan, que estava fechado, sobre o qual a @AilinAleixo falou aqui; o Rafiq’s, indicação da @MaBibas e os food trucks recomendados pela @tanpereyra.

Mas ainda assim provamos muita coisa boa! Semana que vem tem mais :-)