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Além de passear pela Rioja, visitamos duas vinícolas muito bacanas na região.  Recomendo vivamente as duas, foram experiências muito legais para quem curte vinhos.

López de Heredia – Viña Tondonia

Com instalações bonitas, que têm toda uma história, nesta vinícola que fica na cidade de Haro a palavra de ordem é tradição. Ao contrário do que vimos nesta região e também em Ribera del Duero, na López de Heredia o pensamento é um pouco diferente da maioria das vinícolas espanholas que produzem vinhos de alta qualidade.  Aqui, vários métodos antigos são adotados com convicção.

Entre eles, por exemplo, a fermentação  feita em grandes barricas de madeira e não em tanques de aço. A temperatura é controlada manualmente com jatos de água fria e abrindo-se e fechando-se janelas e portas do galpão onde ficam estes tanques. Os vinhos Tondonia fermentam em barricas não necessariamente novas, mas que podem ser reutilizadas por até 25 anos, pois seus produtores acreditam que os vinhos antigos vão dando sabor e personalidade aos novos vinhos que chegam para a fermentação. Os 4 km de túneis são forrados de limo, que também creem ser benéfico aos seus vinhos. A impressão que se tem é de estar em uma mina, onde inclusive há trilhos de antigos vagões que transportavam os barris para fora dos túneis. Nestes túneis não há qualquer controle de umidade e temperatura, é tudo natural.

Há também aqui uma tanoaria, uma fábrica de barris de vinho, e é muito bacana aprender como são montados os barris. Mais ainda, ao invés de utilizar os barris uma única vez, a Tondonia desmonta-os e refaz novos barris utilizando madeira nova e madeira de barris já usados para hacer la crianza. Nossa degustação na Tondonia foi fantástica. Tomamos dois vinhos Gran Reserva de mais de 20 anos e curtimos muito sentir as diferenças entre vinhos que envelhecem por pouco e por muito tempo. Nossa guia  era muito boa.  Vale a pena reservar a visita a esta vinícola.

Marqués de Riscal

O contraste da Marqués de Riscal com a Viña Tondonia é curioso. Nesta vinícola, localizada na cidadezinha de Helciego, respira-se modernidade. O conjunto da vinícola tem prédios antigos mas é o novo prédio do hotel Marqués de Riscal, projetado pelo arquiteto Frank Gehry, que dá o tom da filosofia da vinícola. Aqui, as proporções são grandes, a produção idem e é tudo prático e moderno.

Nesta visita, guiada por gente muito simpática e com excelente conhecimento do negócio, o bacana foi ver a linha de produção de engarrafamento, enrolhamento, rotulagem e outros processos. Adorei ver a colocação daquela ‘redinha’ de metal dourado nas garrafas do Marqués de Riscal Reserva e Gran Reserva. Aqui fizemos também a melhor degustação de todas as vinícolas, considerando-se o ‘conjunto da obra’.

Vale a pena visitar a Marqués de Riscal e, de lambuja, almoçar neste restaurante incrível.

 

 

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Além de passear pelas cidades da Ribera del Duero, visitamos três vinícolas da região: Torremilanos, Pesquera e Protos.

Torremilanos

A própria dona da Torremilanos, a simpática e acessível senhora Pilar, foi quem nos acompanhou na visita a esta vinícola. A Torremilanos, que fica na cidade de Aranda de Duero,  foi fundada em 1903,  sendo a vinícola mais antiga da região depois da Vega Sicilia. A Pilar nos contou que em 1975 ela e seu marido Pablo compraram a vinícola com a ideia de investir em vinhos de alta qualidade. Trabalharam muito sozinhos e depois com a ajuda dos dois filhos, que estão lá até hoje. Seu marido morreu há alguns anos mas ela continua firme na direção do negócio que sonharam e construíram juntos.

Contou-nos a história do trabalho de seu filho Ricardo, que durante anos buscou convencer o pai a investir e adotar modernidades na produção. O pai finalmente capitulou e Ricardo implantou na Torremilanos uma pequena produção de vinhos que envelhecem em barris de cimento de formato oval, os huevos de cemento, que ele acredita conseguem manter uma guarda  mais longa com menor possibilidade de oxidação do vinho. E Ricardo Peñalba tem conseguido produzir vinhos que são muito bem reconhecidos no mercado.

O destaque ficou por conta do prédio bonito e da decoração caprichada de seus interiores, com pequenos detalhes interessantes, como as paredes pintadas com painéis de cenas da colheita da uva e um abajur feito de cachos de uvas de cristal. É uma das únicas vinícolas na região que fabrica barris de carvalho e é possível ver a tanoaria e entender o processo. Na vinícola há um bom restaurante e um wine bar que serve os vinhos da Torremilanos em taças, acompanhadas de ótimos tapas; ambos abertos ao público. Para visitar a vinícola, é preciso fazer uma reserva pelo telefone ou pelo email indicado no site.

Pesquera

“Tinto Pesquera hasta que me muera”… O ditado conhecido na região mostra como a vinícola Pesquera, que fica em Peñafiel, é tradicional na Ribera del Duero. A Pesquera é o resultado do sonho de um homem ímpar, que desde moço queria fazer vinhos de qualidade. Alejandro Fernandéz trabalhou em diversas atividades para sustentar a família, mas nunca deixou de produzir seu vinho, com as uvas de sua pequena propriedade,  sempre sonhando com a própria vinícola. Levou dez anos para construir seu negócio. Com mais de 80 anos, está vivo e atuante até hoje.  O bacana aqui é visitar o galpão onde hoje fica exposta a primeira prensa de uvas utilizada por Alejandro e ouvir sua historia contada por ele mesmo, em um filme que é passado no local.

Além da vinícola, vale a pena esticar a visita ao Pesquera AF Hotel, que fica na mesma cidade  e onde há um bar moderno e gostoso para provar os vinhos Pesquera acompanhados de tapas. No hotel há ainda um restaurante e uma bodega subterrânea onde é legal ir jantar ou curtir a noite.

Protos

A Protos foi, sem dúvida, a vinícola mais bacana que visitamos em Ribera del Duero. Além da simpatia e do conhecimento da guia Marilena, que nos acompanhou na visita, e dos excelentes vinhos que provamos na degustação no local, a Protos é muito interessante do ponto de vista histórico e arquitetônico. Neste local que visitamos em Peñafiel não há produção de vinhos, apenas armazenamento/envelhecimento e engarrafamento. A visita começa na parte antiga da vinícola: são mais de 2 km de túneis subterrâneos, onde 14 mil barricas se amontoam em volta de paredes de pedra. Os túneis passam por baixo do Castillo de Peñafiel e, como contei aqui, têm respiradouros com 60 metros de altura que fazem o ar circular. Nestes túneis é tudo natural, não há qualquer controle de umidade e temperatura.

Mas não pára por aí. De repente saímos dos túneis e atravessamos por debaixo da estrada que corre ao lado da vinícola. Do outro lado estão as novas instalações da Protos, com suas imensas salas onde a temperatura e a umidade são controladas artificialmente. Aqui, repousam cinco mil barricas e milhares de garrafas. Neste prédio novo também estão as seções de engarrafamento, rotulagem e empacotamento dos vinhos. Além das salas de degustação e escritórios da Protos. O curioso é que o mesmo escritório de arquitetura que projetou o Terminal 4 do Aeroporto de Barajas, o Richard Rogers, construiu o novo prédio da Protos. Qualquer semelhança não é mera coincidência 😀 Uma vinícola que vale a pena visitar.

 

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Destacarei três entre as vinícolas que visitamos na Toscana: Biondi Santi Tenuta Greppo, Biondi Santi Castello di Montepò e Avignonesi. A escolha foi do Jacques, enólogo de plantão da nossa Turma do Vinho, que com a ajuda inestimável da Claudia da Mistral tornou possível visitarmos estas vinícolas em especial. Não vou me ater a detalhes técnicos. A ideia aqui é contar mais sobre o que nos chamou a atenção nos locais e curiosidades sobre as pessoas e os vinhos que tomamos. Salute 🙂

Biondi Santi Tenuta Greppo

A Biondi Santi é provavelmente a produtora mais tradicional do famoso Brunello di Montalcino. Uma família cuja história se confunde com a da criação deste vinho, até hoje participa intensamente na administração e divulgação do seu negócio. Ainda é Franco Biondi Santi, atualmente com mais de 80 anos, que prova o Brunello e dá a última palavra se naquele ano será engarrafado o Reserva ou apenas o Annata.

A Tenuta Greppo é uma vinícola pequena, à moda antiga, muito charmosa. Ao descer do carro avistamos uma alameda de ciprestes antiquíssimos, por cuja sombra se caminha até chegar à sede da vinícola. Ao lado e ao longe, oliveiras e parreiras num dos terroirs mais famosos do mundo. Na sede, a casa de campo da família, Villa Greppo, ladeia a cantina, onde se concentra toda a produção do Brunello di Montalcino Biondi Santi. Feito 100% com a uva Sangiovese, é um vinho de guarda por natureza. Nossos anfitriões explicaram que a ideia na produção do Brunello é marcar as qualidades desta uva no vinho produzido e usar com mais parcimônia outros elementos. Assim, por exemplo, no armazenamento do Brunello utilizam-se barris maiores do que os tradicionais de 225 litros, e estes barris são reutilizados muitas vezes, de modo a amenizar a influência do carvalho no sabor do vinho.

No local, visitamos também a adega onde estão guardadas as garrafas das antigas safras do Brunello di Montalcino Biondi Santi e onde ainda existem duas garrafas de 1888. Tivemos o privilégio de ver de perto o vinho que é hoje o mais antigo dos Biondi Santi, numa gentileza extrema do Jacopo Biondi Santi, que nos acompanhou na visitação.

Degustamos, na ocasião, os seguintes vinhos: Rosso di Montalcino Biondi Santi 2007, Brunello di Montalcino Biondi Santi 2005 Annata e Brunello di Montalcino Biondi Santi 1998 Riserva.

Biondi Santi Castello di Montepó

Em contraposição à Tenuta Greppo, o Castello di Montepó é a vertente moderna dos Biondi Santi. O próprio Jacopo Biondi Santi nos contou como foi criado este novo negócio. No início da década de 90 ele teve a ideia de produzir um vinho que fosse mais ‘fácil’ e ‘rápido’ de beber do que o Brunello di Montalcino, que precisa envelhecer para ser apreciado. Prospectou um local dentro de um raio de 50 km da Tenuta Greppo e finalmente encontrou o Castello di Montepó, que na época era propriedade do escritor inglês Graham Greene. Na vertente dos chamados supertoscanos, Montepó hoje tem vinhos internacionalmente famosos como o Schidione e o Sassoalloro.

Jacopo Biondi Santi é um verdadeiro gentleman e foi muitíssimo atencioso com o nosso grupo durante a visita. Uma pessoa extremamente culta, inteligente e interessante, nota-se que tem verdadeira paixão pelo negócio da família e que foi capaz de reinventá-lo nestes novos vinhos. Assistimos uma palestra dada por ele, na qual nos mostrou como planificou e catalogou todas as micro-regiões e as etapas da produção dos vinhos de Montepó, palestra didática e muito interessante. De quebra, almoçamos na sala de jantar do próprio castelo, em meio a candelabros e javalis empalhados (!), um menu típico da Toscana: trippa alla fiorentina (dobradinha, um dos pratos mais típicos da região), pici al cinghiale (massa típica da região, com ragu de javali) e morangos, pêssegos e peras dulcíssimos de sobremesa. Uma experiência que ficará na memória.

Degustamos nesta ocasião os seguintes vinhos: Morellino di Scansano Castello di Montepó, Sassoalloro e o Schidione, todos da safra 2006. Além disto, o grupo comprou e degustou em conjunto também a magnum do Schidione Oro 1997, safra especialíssima que comemorou o advento do terceiro milênio e foi chamado III Millennio.

Avignonesi

Visitamos a fattoria Le Capezzine, onde ficam as adegas para vinificação e as adegas para envelhecimento e guarda da Avignonesi, produtora de um dos mais tradicionais Vino Nobile de Montepulciano. É lá também a vinsantaia, onde fica armazenado por 10 anos em barril o internacionalmente famoso e super premiado vinho desta vinícola, o Avignonesi Vin Santo. Uma vinícola moderna e totalmente renovada, mas ao mesmo tempo muito preocupada em manter tradições, a Avignonesi nos mostrou projetos interessantes. Um deles é o Il Settonce, um vinhedo no qual as parreiras são plantadas como pequenos arbustos e não em espaldeira como é convencional, e onde as plantações hexagonais deixam as parreiras eqüidistantes uma das outras, assim recebendo insolação e ventilação iguais. Este vinhedo procura ainda recriar as características do plantio e da produção de centenas de anos atrás e toda a adubação, controle de pragas e equilíbrio de minerais no solo são feitos de forma orgânica.

Almoçamos na Tavola Comune da Capezzine, onde foi servido um menu delicioso de pratos típicos, feitos com ingredientes locais de alta qualidade, na maioria provenientes da própria fazenda, entre os quais se destacaram especialmente o capretto locale ao girarrostro (cabrito assado inteiro lentamente no forno a lenha) e o tiramisù all’ ananás (tiramisu de abacaxi), tudo acompanhado pelos vinhos de produção própria. Um almoço memorável, acho que nunca comi tanto na vida rsrs…

Degustamos nesta ocasião os seguintes vinhos: Bianco Avignonesi Toscana 2010, Rosso di Montalcino Avignonesi 2009, Vino Nobile di Montepulciano Avignonesi 2008 e o Desiderio Merlot Cortona, 2007.

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Nossa Turma do Vinho visitou a vinícola Villa Francioni, em São Joaquim, na serra catarinense. Lá fomos muito bem recebidos pela Daniela Freitas e pela Raquel, e nos surpreendemos positivamente com a grandeza e seriedade do negócio. Tentarei passar um pouco da impressão que tivemos na visita, que foi muito bacana!

A primeira coisa que se nota na vinícola Villa Francioni é o compromisso, senão a obsessão mesmo, com a qualidade. Desde a escolha das mudas, passando pelas instalações modernas e sofisticadas, até chegar no produto final engarrafado. Não é para menos. A Villa Francioni é antes de tudo o resultado de um sonho de um homem empreendedor, Manoel Dilor de Freitas, bem sucedido empresário e dono do grupo Cecrisa, que queria produzir em Santa Catarina um vinho de qualidade.

A suntuosidade da construção impressiona logo de cara. Não pelo luxo, mas pelo tamanho e funcionalidade: um prédio de quase 4,5 mil metros quadrados com seis níveis/andares, desenhado desta forma para facilitar o escoamento da produção pelo fluxo gravitacional. Lembrei nesta hora da vinícola do Esporão, em Portugal, construída da mesma forma. A iluminação natural foi privilegiada na construção e pouca iluminação artificial é necessária, deixando o ambiente fresco e agradável. Com exceção do piso, desenvolvido pela Cecrisa especialmente para a vinícola, todos os tijolos, materiais de acabamento do prédio e móveis são de demolição ou de segunda mão. Com seus vãos livres, vitrais e corrimões de ferro batido, a vinícola já recebeu o apelido de ‘catedral do vinho’. É um prédio bonito, mesmo.

De uma parede de vidro no prédio vê-se parte dos 26 hectares de vinhedos que ficam em São Joaquim (os restantes 24 hectares estão localizados na cidade de Bom Retiro), todos com ‘capas de chuva’ para se protegerem da geada e da neve. Na Villa Francioni são cultivadas seis variedades de uvas tintas e duas brancas. Na sua obsessão pela qualidade, a vinícola só vinifica uvas de sua própria produção. Em 2010, pretendem chegar à produção de 250 mil litros de vinho.

A produção é impecável. Cada faixa de terra recebeu um manuseio específico para cada qualidade de uva. A colheita é totalmente manual. Em seguida, todos os passos da produção são acompanhados pela equipe do laboratório, que vai formando um banco de dados com os melhores procedimentos. Nota-se também a preocupação com o investimento na contratação de bons profissionais e na apresentação do produto final nas garrafas.

Outra história bonita é a dos nomes da vinícola e de seus vinhos. Dilor de Freitas, com a convicção de que ‘por trás de todo grande homem existe uma grande mulher’, homenageou sua esposa colocando na vinícola o sobrenome italiano da família dela, Francioni. Seu vinho de base, o Joaquim, é também uma homenagem à cidade que acolheu o negócio; o Francesco é dedicado ao primeiro imigrante italiano da família Francioni a chegar no Brasil. Já o Michelli homenageia o patriarca que ficou na Itália.

Hoje, a Villa Fracioni coloca sete vinhos no mercado: os tintos Joaquim, Francesco, Villa Francioni e Michelli, todos assemblagens; um Rosé multivarietal e dois brancos Sauvignon Blanc e Chardonnay, estes três últimos com o rótulo Villa Francioni. Estão estudando ainda o lançamento no mercado de um vinho branco de sobremesa e dois espumantes extra-brut, rosé e branco.

Experimentamos todos os vinhos da Villa Francioni e gostamos especialmente do Sauvignon Blanc e do Francesco. O Michelli, do qual compramos algumas garrafas para o jantar, foi o maior destaque, muito equilibrado e com personalidade, gostoso mesmo. O único senão fica, ainda, por conta do preço. Tamanha qualidade tem obviamente um custo, especialmente em um país que não tem tradição vinífera. Acreditamos que no futuro, com ganho na escala e na experiência, a vinícola Villa Francioni – assim como demais vinícolas brasileiras sérias – poderá tornar seus vinhos competitivos com os vinhos da mesma faixa de preço chilenos e argentinos.

É possível agendar uma visita à vinícola Villa Francioni através dos telefones (49) 3233.2451, 3233.3713 ou 3233.1918. O custo da visita, R$ 20,00 por pessoa, é abatido na compra dos produtos da vinícola. As visitas podem ser feitas de quarta a domingo, nos horários das 10h, 13h30min e 15h30min.

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Dois leigos, mas apaixonados por vinhos, começando uma viagem a Portugal pela região do Alentejo, provavelmente a segunda região vinícola mais importante do país depois do Douro. Resultado: entre os passeios, vamos às vinícolas!

Pesquisamos muito e ficamos com Adega da Cartuxa e com a Herdade do Esporão. A Cartuxa foi escolhida por ser uma vinícola antiga e tradicional, do grupo Fundação Eugénio de Almeida (FEA), que engarrafa o famoso Pêra Manca, um dos vinhos portugueses mais conhecidos e admirados. A Herdade do Esporão foi escolhida pelo contraste, já que se trata talvez da maior vinícola da região, além de ser dona dos vinhos Esporão, também muito conceituados no mercado.

Para quem tiver tempo, outras vinícolas interessantes no Alentejo que ficaram na vontade: as tradicionais Herdade do Mouchão e Herdade Perdigão, a moderna João Portugal Ramos e a artesanal Quinta do Mouro.

Adega da Cartuxa

Visitamos o prédio histórico da Adega Cartuxa–Quinta do Valbom, vizinha ao Convento dos Cartuxos, e que fica no local do antigo refeitório dos jesuítas que lecionavam na Universidade de Évora nos séculos XVI e XVII. É nesta sede antiga que descansam os grandes vinhos da FEA, como o Cartuxa e o Pêra Manca, tanto nos barris de carvalho como nas garrafas. Lá também é feita a visita e a degustação de vinhos e azeites.

Curioso que os vinhos nos barris descansam escutando canto gregoriano… Depois, no silêncio das caves, estes mesmos vinhos descansam nas garrafas. A arquitetura de paredes grossas e corredores laterais às grandes salas, faz com que a temperatura dentro do prédio seja praticamente constante, variando por volta dos 21º C.

Também foi legal saber que a produção vinícola da Adega da Cartuxa, assim como os demais negócios agropecuários da FEA, tem seus lucros revertidos para projetos de educação, artes e restauração do patrimônio histórico e arquitetônico da região.

Para fazer a visita na Adega da Cartuxa, escrevemos para a Enoturismo Cartuxa, que nos respondeu indicando os três tipos de visitas oferecidos pela adega:
– Visita Cartuxa – inclui visita à adega e uma prova de 3 vinhos da FEA, preço de 7,5 euros por pessoa;
– Visita São Bruno – inclui visita à adega e uma prova de 3 vinhos escolhidos pelo cliente de toda a gama da FEA, a escolha poderá ser feita a partir do site. Preço de 20 euros por pessoa;
– Visita Sto. Inácio de Loyola – inclui visita à adega e uma prova de 5 vinhos escolhidos pelo cliente de toda a gama da FEA, a escolha poderá ser feita a partir do site. Preço de 30 euros por pessoa.

Valeu a pena! O atendimento e a organização na Adega Cartuxa foram perfeitos. Provamos os vinhos escolhidos, desarrolhados na nossa frente, junto com uma degustação de três azeites produzidos pela FEA. Foi um dos passeios mais legais da viagem. E ainda deu para comprar alguns dos vinhos degustados no preço especial da vinícola.

Herdade do Esporão

A Herdade do Esporão foi uma experiência totalmente diferente! Lugar enorme, paisagens magníficas, uma sede linda e uma linha de produção de vinhos gigantesca. Quem já viu ou já tomou o Monte Velho ou o Alandra? Pois é, são produzidos lá na Herdade do Esporão.

Fizemos aqui a visita como manda o figurino, desde as plantações de uvas, passando pela fabricação propriamente dita, o descanso em barril, o engarrafamento, o repouso das garrafas nas caves e a rotulagem e embalagem dos vinhos.

Entre curiosidades da Herdade do Esporão está a plantação de tremoço no meio dos parreirais para ajudar no equilíbrio dos nutrientes do solo.

Outra coisa interessante que pouca gente deve saber é que o processo de vinificação dos vinhos Garrafeira – Private Selection, um pequeno volume perto dos outros rótulos produzidos na Herdade do Esporão, é feito separadamente e ainda envolve, hoje, a maceração das uvas pela pisa a pé! Olha a escadinha ao lado destes tanques… é aí mesmo.

Na Herdade do Esporão também é conveniente agendar a visita. Porém, mesmo enviando email duas vezes para o endereço indicado no site, não obtivemos resposta. O jeito foi telefonar (tel. +351 266 509 280) para confirmar a visita. O atendimento ao público na Herdade do Esporão foi correto, mas não caloroso como na Adega Cartuxa.

Há alternativas de visitas a escolher. A visita básica com a degustação de um vinho a escolha da casa não tem custo. Há degustações de rótulos da casa, oferecidas lá mesmo no bar/restaurante da sede da vinícola. São diversas opções, com preços variados, a partir de 15 euros por pessoa.

Na saída, uma surpresa: um quadro de Monet ao vivo. Um olival da Herdade do Esporão, onde as oliveiras repousam em um tapete de flores do campo roxas. Lindo demais!

A propósito, comprar vinhos nas vinícolas é o melhor negócio para conseguir bons preços. Se não for possível, outra boa opção são as ‘garrafeiras’, ou seja, lojas de vinhos, de preferência nas pequenas cidades. A melhor que encontramos foi o Restaurante e Garrafeira A Casa (Praça 25 de abril, 51-52, tel. +351 262 590 120) em Alcobaça. Em Lisboa, além do Club Gourmet do El Corte Inglés, encontramos os melhores preços e o melhor atendimento na Manuel Tavares, Lda. Mercearias Finas (Rua da Betesga 1A e 1B, Rossio, tel. +351 213 424 209).

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Semana passada contei aqui no blog sobre a ida da minha confraria de vinho à vinícola Bonucci, em São Carlos, no interior de São Paulo. Pois encerramos a visita com chave de ouro, brincando de ser enólogos.

Vocês se lembram daqueles jogos de química que adorávamos quando crianças, que vinham com pipetas, tubos de ensaio e copos medidores? É algo parecido, mas ao invés de brincar de misturar substâncias químicas, brincamos de misturar vinhos varietais para fazer nosso próprio assemblage. Um vinho com a nossa assinatura.

O objetivo do jogo, como diz o próprio Victor Bonucci, criador do ‘kit do enólogo’, é fazer um vinho que seja superior aos seis vinhos varietais que compõem o kit: um Cabernet Sauvignon “barricado”, um Cabernet Sauvignon sem barrica, um Merlot, um Cabernet Franc, um Marselan e um Ancelotta – todos produzidos na vinícola gaúcha Larentis, onde Victor fez estágio antes de abrir sua própria vinícola.

Realmente foi interessante perceber como é complexo o trabalho do enólogo e como os vinhos varietais ‘crescem’ quando misturados entre si. É quase como preparar um prato e colocar nele os ingredientes fundamentais e os temperos na medida certa para deixá-lo equilibrado. Assim como um prato, um vinho nunca será igual a outro, depende da ‘mão’, da experiência e do talento do cozinheiro!

Formamos cinco grupos, e após tentativas e erros, cada grupo chegou na sua fórmula perfeita. Abaixo, um quadro com nossas assemblages.


GRUPO 1

CaBSv Bar – 5%
CaBSv – 35%
CaFr – 35%
MeL – 20%
MrS –
AnC – 5%

GRUPO 2

CaBSv Bar –
CaBSv – 70%
CaFr –
MeL – 25%
MrS –
AnC – 5%

GRUPO 3

CaBSv Bar – 10%
CaBSv – 10%
CaFr – 5%
MeL – 70%
MrS –
AnC – 5%

GRUPO 4

CaBSv Bar – 50%
CaBSv –
CaFr – 10%
MeL – 30%
MrS – 5%
AnC – 5%

GRUPO 5

CaBSv Bar – 50%
CaBSv – 20%
CaFr – 30%
MeL –
MrS –
AnC –

Legendas:
CaBSv Bar
– Cabernet Sauvignon “barricado”
CaBSv – Cabernet Sauvignon sem barrica
CaFr – Cabernet Franc
MeL – Merlot
MrS – Marselan
AnC – Ancelotta

OBS. Este texto foi originalmente publicado no blog Rosmarino e Prezzemolo.

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Não sei se já contei que faço parte de uma confraria de degustação de vinhos, a Turma do Vinho Nelson Barbieri. Esta confraria surgiu quando morávamos em Araraquara, entre amigos que dividiam a mesma paixão. A coisa foi crescendo e hoje são mais de 10 pessoas se reunindo, sendo que alguns se mudaram de Araraquara – foram para Florianópolis, Valinhos e Ribeirão Preto (nós) – mas nossa ‘amizade enófila’ continuou forte! É uma confraria bem divertida e despretensiosa. A ideia é nos divertimos, em primeiro lugar. E em segundo lugar conhecer um pouco mais sobre vinhos, experimentar, trocar informações e impressões, encontrar ‘achados’, etc.

Recentemente, um dos membros da Turma sugeriu uma visita à Vinícola Bonucci, em São Carlos, no interior de São Paulo. Vinícola em São Carlos?? Em um primeiro momento, também estranhamos a coisa. Confesso que não tinha grandes expectativas em relação à visitação. O Brasil já não é um produtor de vinhos dos mais ‘calibrados’ e a região vinícola por excelência é a Serra Gaúcha, além da serra de Santa Catarina, entre outros poucos locais que reúnem condições apropriadas para se fazer um vinho de boa qualidade.

Mas São Carlos tem o Victor Bonucci! O Victor foi executivo de multinacional durante anos, viajou muito, bebeu centenas de vinhos e visitou dezenas de vinícolas pelo mundo. E quando se aposentou resolveu realizar um antigo sonho: montar uma vinícola nas terras que herdou da família em São Carlos. O Victor é um sonhador, sem dúvida, mas com os pés no chão e com cabeça de engenheiro. Estudou o assunto por mais de 20 anos e fez estágios em vinícolas.

Ele menciona um estudo de zoneamento da EMBRAPA que mostra as regiões ideais para produção de uva e vinho de qualidade no Estado de São Paulo. O estudo traçou um paralelo das regiões paulistas com tradicionais terroirs, e concluiu que a região de São Carlos tem semelhanças com as regiões francesas de Cognac, Agen, Toulouse e Bordeaux; assim como com Napier na Nova Zelândia. Victor frisa que não é o clima frio que propicia uma boa produção de uvas de qualidade, e sim três fatores fundamentais: a boa drenagem da terra (que lá é arenosa e tem baixo teor de argila), a insolação (S. Carlos tem 2.300 horas/ano de sol, enquanto a Serra Gaúcha tem 1.800) e a amplitude térmica (na região a temperatura varia em média 10 graus entre o dia e a noite).

As primeiras videiras, com mudas criadas a partir de matrizes francesas, foram plantadas em 2006. Hoje já são 3.000 pés de Siraz, 1.150 pés de Cabernet Sauvignon e 1.150 pés de Merlot. Victor pretende colher sua primeira safra este ano. Mas ele já testou todos os equipamentos e sua linha produção com uvas compradas no Sul do país, e já têm engarrafados alguns primeiros exemplares com rótulo da Bonucci.

É claro que há muito que aprender. A Bonucci, por exemplo, foi bastante castigada por estas chuvas de janeiro, o que acabou por afetar as parreiras. Há percalços e uma ‘história vinícola’ não se constrói em alguns anos, mesmo com semelhanças com Bordeaux, é preciso ter chão para fazer vinhos ‘competitivos’ com aqueles das regiões francesas. Mas o Victor Bonucci é daquelas pessoas que pode, sem dúvida, começar a construir uma história.

Semana que vem conto para vocês como brincamos de enólogos na Vinícola Bonucci!

OBS.Este texto foi publicado originalmente no blog Rosmarino e Prezzemolo.

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