Destacarei três entre as vinícolas que visitamos na Toscana: Biondi Santi Tenuta Greppo, Biondi Santi Castello di Montepò e Avignonesi. A escolha foi do Jacques, enólogo de plantão da nossa Turma do Vinho, que com a ajuda inestimável da Claudia da Mistral tornou possível visitarmos estas vinícolas em especial. Não vou me ater a detalhes técnicos. A ideia aqui é contar mais sobre o que nos chamou a atenção nos locais e curiosidades sobre as pessoas e os vinhos que tomamos. Salute
A Biondi Santi é provavelmente a produtora mais tradicional do famoso Brunello di Montalcino. Uma família cuja história se confunde com a da criação deste vinho, até hoje participa intensamente na administração e divulgação do seu negócio. Ainda é Franco Biondi Santi, atualmente com mais de 80 anos, que prova o Brunello e dá a última palavra se naquele ano será engarrafado o Reserva ou apenas o Annata.
A Tenuta Greppo é uma vinícola pequena, à moda antiga, muito charmosa. Ao descer do carro avistamos uma alameda de ciprestes antiquíssimos, por cuja sombra se caminha até chegar à sede da vinícola. Ao lado e ao longe, oliveiras e parreiras num dos terroirs mais famosos do mundo. Na sede, a casa de campo da família, Villa Greppo, ladeia a cantina, onde se concentra toda a produção do Brunello di Montalcino Biondi Santi. Feito 100% com a uva Sangiovese, é um vinho de guarda por natureza. Nossos anfitriões explicaram que a ideia na produção do Brunello é marcar as qualidades desta uva no vinho produzido e usar com mais parcimônia outros elementos. Assim, por exemplo, no armazenamento do Brunello utilizam-se barris maiores do que os tradicionais de 225 litros, e estes barris são reutilizados muitas vezes, de modo a amenizar a influência do carvalho no sabor do vinho.
No local, visitamos também a adega onde estão guardadas as garrafas das antigas safras do Brunello di Montalcino Biondi Santi e onde ainda existem duas garrafas de 1888. Tivemos o privilégio de ver de perto o vinho que é hoje o mais antigo dos Biondi Santi, numa gentileza extrema do Jacopo Biondi Santi, que nos acompanhou na visitação.
Degustamos, na ocasião, os seguintes vinhos: Rosso di Montalcino Biondi Santi 2007, Brunello di Montalcino Biondi Santi 2005 Annata e Brunello di Montalcino Biondi Santi 1998 Riserva.
Biondi Santi Castello di Montepó
Em contraposição à Tenuta Greppo, o Castello di Montepó é a vertente moderna dos Biondi Santi. O próprio Jacopo Biondi Santi nos contou como foi criado este novo negócio. No início da década de 90 ele teve a ideia de produzir um vinho que fosse mais ‘fácil’ e ‘rápido’ de beber do que o Brunello di Montalcino, que precisa envelhecer para ser apreciado. Prospectou um local dentro de um raio de 50 km da Tenuta Greppo e finalmente encontrou o Castello di Montepó, que na época era propriedade do escritor inglês Graham Greene. Na vertente dos chamados supertoscanos, Montepó hoje tem vinhos internacionalmente famosos como o Schidione e o Sassoalloro.
Jacopo Biondi Santi é um verdadeiro gentleman e foi muitíssimo atencioso com o nosso grupo durante a visita. Uma pessoa extremamente culta, inteligente e interessante, nota-se que tem verdadeira paixão pelo negócio da família e que foi capaz de reinventá-lo nestes novos vinhos. Assistimos uma palestra dada por ele, na qual nos mostrou como planificou e catalogou todas as micro-regiões e as etapas da produção dos vinhos de Montepó, palestra didática e muito interessante. De quebra, almoçamos na sala de jantar do próprio castelo, em meio a candelabros e javalis empalhados (!), um menu típico da Toscana: trippa alla fiorentina (dobradinha, um dos pratos mais típicos da região), pici al cinghiale (massa típica da região, com ragu de javali) e morangos, pêssegos e peras dulcíssimos de sobremesa. Uma experiência que ficará na memória.
Degustamos nesta ocasião os seguintes vinhos: Morellino di Scansano Castello di Montepó, Sassoalloro e o Schidione, todos da safra 2006. Além disto, o grupo comprou e degustou em conjunto também a magnum do Schidione Oro 1997, safra especialíssima que comemorou o advento do terceiro milênio e foi chamado III Millennio.
Visitamos a fattoria Le Capezzine, onde ficam as adegas para vinificação e as adegas para envelhecimento e guarda da Avignonesi, produtora de um dos mais tradicionais Vino Nobile de Montepulciano. É lá também a vinsantaia, onde fica armazenado por 10 anos em barril o internacionalmente famoso e super premiado vinho desta vinícola, o Avignonesi Vin Santo. Uma vinícola moderna e totalmente renovada, mas ao mesmo tempo muito preocupada em manter tradições, a Avignonesi nos mostrou projetos interessantes. Um deles é o Il Settonce, um vinhedo no qual as parreiras são plantadas como pequenos arbustos e não em espaldeira como é convencional, e onde as plantações hexagonais deixam as parreiras eqüidistantes uma das outras, assim recebendo insolação e ventilação iguais. Este vinhedo procura ainda recriar as características do plantio e da produção de centenas de anos atrás e toda a adubação, controle de pragas e equilíbrio de minerais no solo são feitos de forma orgânica.
Almoçamos na Tavola Comune da Capezzine, onde foi servido um menu delicioso de pratos típicos, feitos com ingredientes locais de alta qualidade, na maioria provenientes da própria fazenda, entre os quais se destacaram especialmente o capretto locale ao girarrostro (cabrito assado inteiro lentamente no forno a lenha) e o tiramisù all’ ananás (tiramisu de abacaxi), tudo acompanhado pelos vinhos de produção própria. Um almoço memorável, acho que nunca comi tanto na vida rsrs…
Degustamos nesta ocasião os seguintes vinhos: Bianco Avignonesi Toscana 2010, Rosso di Montalcino Avignonesi 2009, Vino Nobile di Montepulciano Avignonesi 2008 e o Desiderio Merlot Cortona, 2007.























