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Conversávamos na semana passada no Twitter sobre vinhos e como muitas vezes é difícil lembrar de um determinado vinho – na hora tão inesquecível – que tomamos em algum lugar por este mundo afora. São tantas informações para guardar que muitas delas acabam se perdendo mesmo. No meu caso, as etílicas são as primeiras :-) Tenho amigas que viajam e anotam absolutamente tudo da viagem. Hotéis, quanto custaram as diárias, todos os restaurantes, bares e cafés onde foram, o que comeram, quanto pagaram. Preços de passeios, mapas detalhados. Não tenho esta disciplina e depois sofro por isto.

Comecei a fotografar os vinhos para lembrar depois. Mas ainda assim os rótulos se perdiam no tempo e no espaço.  Até que a ideia de fotografar rótulos foi aperfeiçoada por esta descoberta muito útil para catalogar vinhos em viagens: o aplicativo – gratuito –  para iPhone, iPod, iPad e para Android, Vivino Wine Scanner.

O funcionamento do Vivino é muito simples. Ele  é basicamente um scanner de rótulos de vinhos, que reconhece os vinhos escaneados e armazena os rótulos em um álbum, que fica guardado tanto no seu dispositivo como no website deles, e no qual você pode acrescentar informações como a data e o local onde tomou o vinho e que nota deu, entre outras.

Mas tem mais: quando você escaneia o rótulo de um vinho usando o Vivino, ele automaticamente compara o vinho com quase 650 mil vinhos registrados na sua base de dados de vinhos e vinícolas do mundo inteiro e fornece informações  básicas sobre aquele vinho: de qual região e vinícola é (e a localização dela no mapa), a composição das uvas e as notas dadas a ele por outros usuários do programa, por exemplo.  E se o programa não reconhecer o vinho, ele informa que sua equipe de pesquisa vai procurar e voltar com as informações sobre ele dentro de alguns dias. Eu nunca passei por esta situação, mas usuários do programa dizem que dá certo, sim. O legal é que ele funciona offline também: dá para escanear os vinhos e depois com o acesso a internet completar o ‘reconhecimento’ da garrafa. E dá para escanear também fotos de rótulos  tiradas antes da instalação do programa.

E assim como nas redes sociais, seu álbum de rótulos pode ser compartilhado com outros amigos que também usem o Vivino. Ele, inclusive, procura os amigos que usam o aplicativo entre seus amigos no Facebook, se você quiser.

Assista no YouTube como funciona o Vivino

Não é bacana? :-)

Confesso que nunca fui muito fã de espumantes, mas os rosés  têm me feito bem feliz ultimamente. Como eles são uma delícia para beber no calor e vão muito bem com aperitivos, saladas leves  e comida japonesa, digamos que têm seu valor não? E acho os espumantes rosés mais frutados e mais gostosos de beber do que os espumantes ‘normais’. Fora que a cor é linda hehe :-)

Para brindar o blog novo, dou três sugestões de espumantes rosés que provei recentemente e gostei muito. Cada um deles em uma faixa de preço – mais baixo, médio e mais alto – para todos os gostos e bolsos. Também incluo outras sugestões de amigos que gostam de espumantes rosés e não ficam sem o ‘refrigerante espanhol’ né @ladyrasta ? :-D

 

Espumante Hermann Bossa Nº 3 Rosé

Espumante nacional que provamos em um casamento no qual todos os vinhos foram bem escolhidos. Este espumante rosé, produzido pela vinícola gaúcha Hermann,  é uma novidade apresentada este ano pela Decanter. Feito com um assemblage de uvas Pinotage, Cabernet Franc e Chardonnay, é fresco e fácil de beber.  Uma boa surpresa e um achado na relação preço x qualidade. Menor preço encontrado: R$ 29,80 no Emporio Portofino.

 

 

 

Filipa Pato 3B Rose Brut

Com uma suave cor salmão, este espumante português é elaborado com as uvas Baga (75%) e Bical (25%) e produzido na região de Bairrada/Beiras por Filipa Pato, filha do conhecido enólogo Luis Pato e umas das enólogas mais influentes de Portugal.  Filipa Pato inclusive venceu este ano o Oscar do Vinho, atribuído pela publicação gourmet alemã “Feinschmecker”, como melhor produtora do ano. Foi o espumante do nosso Reveillon e fez ótima figura. Mais encorpado e muito saboroso, é uma ótima opção de preço médio.  Menor preço encontrado: R$ 38,90 na Casa Vidigal.

 

Elyssia Pinot Noir Brut

O Elyssia Pinot Noir Brut é uma cava rosé premium da Freixenet, empresa espanhola líder mundial na fabricação de espumantes. Feito com um assemblage de uvas Pinot Noir e Trepat, é frutado, refrescante e super saboroso. Foi a cava que a nossa Turma do Vinho escolheu este ano para brindar a festa de Natal e foi o melhor espumante rosé que tomei ultimamente, pra se apaixonar ao primeiro gole! Como o preço dele é salgado, fica para as ocasiões especiais.  Menor preço encontrado: R$ 85,60 na Cia. do Whisky.

 

 

OUTRAS RECOMENDAÇÕES DE AMIGOS

Chandon Brut Rosé

Um sempre bom espumante rosé nacional, clássico assemblage de uvas Riesling, Chardonnay e Pinot Noir. Tem muita gente fã dele, que não o troca por novidades. Do tipo que não tem erro. Menor preço encontrado: R$ 49,90 na Super Adega.

Espumante Baga Rosado Bruto Luis Pato

Espumante rosé português de um conceituado produtor, Luis Pato. Mais seco e encorpado, feito com a uva Baga, interessante para quem quer se aprofundar nos espumantes rosés. Novidade que vale testar! Menor preço encontrado: R$ 70,81 na Mistral.

Cava Codorniu Rosé Pinot Noir Brut

Ótima e tradicional opção de cava rosé, para competir com o Elyssia. Menor preço encontrado: R$ 74,90 na Adega Bonna Mania. Dica da @cozinhadeideias: se estiver passando por algum free shop brasileiro, lá este espumante sai por US$ 19,50, ou seja, por volta de R$ 35,00 :-)

Raventos i Blanc Cava de Nit Brut Rosé

Recomendação para o final do ano da Isabela e do Rodrigo do Empório Basilico de Araraquara. Uma cava rosé da Catalunha, feita com as uvas Macabeo (Viura),  Xarel-lo, Parellada e  Monastrell; que está presente na carta de vinhos dos melhores restaurantes espanhóis. Uma cava que apesar do preço salgado teve todas as suas garrafas vendidas.  Confio na minha opinião deles, portanto aqui mais uma opção de cava rosé para vocês. Menor preço encontrado: R$ 99,15 no Empório Basilico.

Agradeço a @DanielaAF, @maricampos, @ladyrasta, @lunoggy, @fezoca, @cozinhadeideias, @NavegantesRest, Marion C., Fernando P., Jacques B. e  Emporio Basilico pelas dicas.

Santiago do Chile é uma cidade bem legal para quem gosta de comer e beber. Já de começo tem os vinhos chilenos, alguns que a gente nunca viu no Brasil, com preços de vinho nacional :-) E segundo porque há uma seleção de restaurantes descolados, modernos e gostosos que competem com São Paulo nos quesitos comida e bebida mas ganham no quesito preço :-D

Duas regiões da cidade são especialmente interessantes por serem agradáveis para caminhar e reunirem atrações enogastronômicas para deliciar qualquer bom gourmet.

Av. Isidora Goyenechea e arredores

Região muito gostosa para andar, bem arborizada e praticamente residencial, mas que concentra alguns dos bons hotéis e restaurantes de Santiago.

No badalado Hotel W há dois bons restaurantes, o NoSo de comida francesa e o japonês Osaka. Mas o mais interessante são as lojas Coquinaria  e El Mundo del Vino, uma ao lado da outra, no mesmo prédio do hotel. Junto delas, o Juan Valdez Café para um lanche rápido.

A Coquinaria é uma delícia para almoçar e para comprar guloseimas e coisas de cozinha. E linda só para olhar também, já que seus preços são meio proibitivos. Fomos lá perto do Natal e a loja tinha árvores de Natal e outras decorações com nozes e frutas secas, criativo e bonito.

El Mundo del Vino é um dos paraísos de quem gosta e quer comprar vinho em Santiago. A loja é grande e bem completa e os vendedores solícitos. (Tenha em mente que a franquia de bagagem por pessoa voando para/do Chile é de uma mala de 23 kgs! Muito fácil ultrapassar este limite com garrafas de vinho e a bagagem extra na LAN é bem cara).

Mais para frente, a um quarteirão de distância, fica a antiga e tradicional Confiteria Torres, onde o gostoso mesmo é sentar-se nas mesinhas da frente, tipo ‘bistrô parisiense’, e pedir um espresso (muito bem tirado, o melhor que tomamos no Chile) e aproveitar para olhar as pessoas caminhando na rua. Também ali ao lado tem um Starbucks, com a sempre útil internet gratuita :-) Dê uma volta na praça na frente do W e mais adiante, na própria Av. Isidora Goyenechea, pare para comer uma pizza no Tiramisú, restaurante informal e bonitinho com boas pizzas e massas.

Nos arredores, a meia hora de caminhada ou a 5 minutos de táxi, fica o bairro da Providencia, onde há vários bons restaurantes. Entre eles o Aqui Está Coco, o Rivoli, o Astrid & Gastón e o Le Bistrot.

Ficamos na maior dúvida entre escolher um lugar novo ou voltar ao Aqui Está Coco, onde estivemos na nossa primeira viagem ao Chile, há mais de 10 anos. No fim, resolvemos voltar ao Aqui Está Coco por razões saudosas. Este restaurante é considerado turístico e muita gente torce o nariz para ele. Pois fomos e não nos arrependemos. Comemos frutos do mar muitíssimo frescos e bem feitos e a mesma sobremesa de 10 anos atrás, que continua ótima, a torta folhada de doce de leite. De quebra o sommelier era ótimo e com ele aprendemos a tomar os Sauvignon Blancs chilenos, que achamos bem mais gostosos que os Chardonnays, normalmente nossa uva branca predileta. Depois, pesquisando nos blogs amigos, descobri que não somos os únicos que gostamos deste restaurante, né Edu Luz e Destemperados?

 

Av. Nueva Costanera e arredores

Este é o point para quem gosta de comer bem e quer conhecer os lugares mais descolados de Santiago. Ao longo da Av. Nueva Costanera, que é outra ótima avenida para andar a pé, alguns dos restaurantes mais bacanas de Santiago dividem espaço com hotéis lindos e lojas de luxo nas ruas transversais, como a Alonso de Córdova. Além dos restaurantes, na Nueva Costanera tem uma ótima enoteca, a Wain, com preços um pouco melhores do que o El Mundo Del Vino em um espaço mais personalizado. Na frente da Wain, outra boa surpresa: uma loja da KitchenAid para babar bastante nas batedeiras e demais utensílios domésticos super bacanas :-) Continuando a pé está o La Mar e após mais alguns quarteirões ficam o Boragó e o Sukalde, um ao lado do outro. Um pouco mais longe, nos arredores, o bom restaurante Astoria.

Seguindo as dicas do Edu Luz e da Nina, escolhemos o Boragó para o nosso jantar de comemoração de 15 anos de casados. Valeu muito! Escolhemos o menu degustação acompanhado de vinhos (ou cervejas e chás, dependendo do prato!) e foi muito divertido e gostoso. Com uma qualidade de pratos e vinhos que em São Paulo certamente custaria o dobro do preço. No Boragó finalmente perdi a birra dos vinhos Pinot Noir, depois de ter provado o Anakena Pinot Noir 2009.

Em tempo: se quiserem saber mais destes restaurantes em Santiago, não deixem de ver os posts do DCPV, dos Destemperadose do Gourmandise sobre eles.

Mercado Central e arredores

Last but not least… Deixei por último este capítulo e nem considerei esta região porque, para mim, foi uma decepção total. Tenho alguns amigos que são super fãs do Mercado Central de Santiago e recomendaram uma vista a ele. Mas li críticas no DCPVe no Viaje na Viagem e fiquei na dúvida. No fim fomos de teimosos. De fato a insistência dos garçons do Donde Augusto, restaurante onipresente no mercado, enche um pouco. Mas o pior não foi isto. Chegamos ao Mercado após as 15h e o lugar estava cheio de lixo e restos de peixe jogados no chão, quase todas as barracas de peixes fechadas e as poucas abertas cheias de moscas pousando na ‘mercadoria’. Um cheiro de peixe podre aqui e acolá, fomos embora depois de 5 minutos.

Sim, estou cansada de saber que em feira e mercado tem que ir cedo, mas esperava mais de um ponto turístico de Santiago. Se alguém ainda tem vontade de ir ao Mercado Central de Santiago, faça um esforço para chegar pelo menos antes das 10h da manhã, quando o movimento das barracas de peixes e frutos do mar é maior.

Nos arredores do mercado, caminhando por cerca de 30 minutos (uma caminhada meio árida, não tão agradável como nas duas regiões acima), chega-se ao Pátio Bellavista, dito shopping a céu aberto com bons pequenos restaurantes. Não sei se pelo horário, ou pela época do ano, mas o que vimos no Bellavista foram lojinhas de artesanato, de bijuterias e de souvenirs, nada incrível ou diferente, o mesmo de sempre.

Na rua atrás do Pátio Bellavista há muitos restaurantes, entre eles oComo Água para Chocolate, que é bem gostoso. Desta vez não estivemos lá, mas é um programa legal para quem vai visitar La Chascona, a casa do Pablo Neruda, que fica ali perto e é para mim um dos programas mais legais para fazer na cidade.

Agradeço as dicas da Mari Campos, do Edu Luz, da Nina e da Natalie.

E com este post o Rosmarino e Outros Temperos encerra o ano de 2011. Desejo um Feliz Natal e um bom Ano Novo para todos vocês! E aguardem que 2012 traz grandes novidades para o blog :-)

Os melhores restaurantes

  • Antica Trattoria La Toppa (San Donato in Poggio)
  • Albergaccio di Castellina (Castellina in Chianti)
  • La Taverna Castello Banfi (Montalcino)
  • Trattoria dei Quattro Leoni (Firenze)
  • La Buca di Sant’Antonio (Lucca)
  • Trattoria Za Za (Firenze)
As melhores refeições rápidas
  • Pizza di prosciutto crudo, rucola e grana – Pizzeria Tre Porte
  • Accoglienza – Dario+
Os melhores antipastos
  • Tartara di vitellone allo zenzero, Parmigiano i carciofi – Albergaccio di Castellina
  • Torre di melanzane – Trattoria dei Quattro Leoni
  • Burrata – Pizzeria Il Pomodorino
Os melhores primeiros pratos
  • Ravioli di spinaci e ricotta con burro e salvia – Antica Trattoria La Toppa
  • Fiocchetti alle pere con salsa di taleggio i asparagi – Trattoria dei Quattro Leoni
  • Spaghetti alla carbonara – Osteria Cipolla Rossa (Firenze)

 

Os melhores segundos pratos

  • Maiale in umido – Antica Trattoria La Toppa
  • Arista di maiale com patate al rosmarino – La Taverna Castello Banfi
  • Costolette dal’agnello con funghi fritte – La Buca di Sant’Antonio

 

 As melhores sobremesas

  • Pinolata Senese con salsa al FloruS – La Taverna Castello Banfi
  • Crema bruciata profumata alla vaniglia naturale con insalata di fragole flambate – Albergaccio di Castellina
  • Crostata fichi e noci – Café Nannini (Siena)

 

Os melhores sorvetes

  • Gelateria di Piazza – San Gimignano
  • GROM – Siena
  • Cremi – Arezzo
  • Vivoli - Firenze

 

Os melhores vinhos
    • Schidione Oro 1997 III Millennio – Castello di Montepó
    • Syrah Banditone 2005 – Ferenc Maté
    • Soldera Brunello di Montalcino Riserva 2002 – Case Basse
    • Brunello de Montalcino 1998 Riserva Biondi-Santi – Tenuta Greppo
  • Sassoalloro 2006 – Castello di Montepó
  • Chianti Clássico Riserva La Forra 2003 – Tenuta di Nozzole
  • Chianti Clássico Riserva Castellare di Castellina 2007 – Domini Castellare di Castellina
  • Bianco Avignonesi Toscana 2010 – Avignonesi
  • Centine Bianco 2010 – Castello Banfi

E um agradecimento especial a @RomaineCarelli, ao @bronza e ao @umlitrodeletras que forneceram dicas excelentes da Toscana.

Destacarei três entre as vinícolas que visitamos na Toscana: Biondi Santi Tenuta Greppo, Biondi Santi Castello di Montepò e Avignonesi. A escolha foi do Jacques, enólogo de plantão da nossa Turma do Vinho, que com a ajuda inestimável da Claudia da Mistral tornou possível visitarmos estas vinícolas em especial. Não vou me ater a detalhes técnicos. A ideia aqui é contar mais sobre o que nos chamou a atenção nos locais e curiosidades sobre as pessoas e os vinhos que tomamos. Salute :-)

Biondi Santi Tenuta Greppo

A Biondi Santi é provavelmente a produtora mais tradicional do famoso Brunello di Montalcino. Uma família cuja história se confunde com a da criação deste vinho, até hoje participa intensamente na administração e divulgação do seu negócio. Ainda é Franco Biondi Santi, atualmente com mais de 80 anos, que prova o Brunello e dá a última palavra se naquele ano será engarrafado o Reserva ou apenas o Annata.

A Tenuta Greppo é uma vinícola pequena, à moda antiga, muito charmosa. Ao descer do carro avistamos uma alameda de ciprestes antiquíssimos, por cuja sombra se caminha até chegar à sede da vinícola. Ao lado e ao longe, oliveiras e parreiras num dos terroirs mais famosos do mundo. Na sede, a casa de campo da família, Villa Greppo, ladeia a cantina, onde se concentra toda a produção do Brunello di Montalcino Biondi Santi. Feito 100% com a uva Sangiovese, é um vinho de guarda por natureza. Nossos anfitriões explicaram que a ideia na produção do Brunello é marcar as qualidades desta uva no vinho produzido e usar com mais parcimônia outros elementos. Assim, por exemplo, no armazenamento do Brunello utilizam-se barris maiores do que os tradicionais de 225 litros, e estes barris são reutilizados muitas vezes, de modo a amenizar a influência do carvalho no sabor do vinho.

No local, visitamos também a adega onde estão guardadas as garrafas das antigas safras do Brunello di Montalcino Biondi Santi e onde ainda existem duas garrafas de 1888. Tivemos o privilégio de ver de perto o vinho que é hoje o mais antigo dos Biondi Santi, numa gentileza extrema do Jacopo Biondi Santi, que nos acompanhou na visitação.

Degustamos, na ocasião, os seguintes vinhos: Rosso di Montalcino Biondi Santi 2007, Brunello di Montalcino Biondi Santi 2005 Annata e Brunello di Montalcino Biondi Santi 1998 Riserva.

Biondi Santi Castello di Montepó

Em contraposição à Tenuta Greppo, o Castello di Montepó é a vertente moderna dos Biondi Santi. O próprio Jacopo Biondi Santi nos contou como foi criado este novo negócio. No início da década de 90 ele teve a ideia de produzir um vinho que fosse mais ‘fácil’ e ‘rápido’ de beber do que o Brunello di Montalcino, que precisa envelhecer para ser apreciado. Prospectou um local dentro de um raio de 50 km da Tenuta Greppo e finalmente encontrou o Castello di Montepó, que na época era propriedade do escritor inglês Graham Greene. Na vertente dos chamados supertoscanos, Montepó hoje tem vinhos internacionalmente famosos como o Schidione e o Sassoalloro.

Jacopo Biondi Santi é um verdadeiro gentleman e foi muitíssimo atencioso com o nosso grupo durante a visita. Uma pessoa extremamente culta, inteligente e interessante, nota-se que tem verdadeira paixão pelo negócio da família e que foi capaz de reinventá-lo nestes novos vinhos. Assistimos uma palestra dada por ele, na qual nos mostrou como planificou e catalogou todas as micro-regiões e as etapas da produção dos vinhos de Montepó, palestra didática e muito interessante. De quebra, almoçamos na sala de jantar do próprio castelo, em meio a candelabros e javalis empalhados (!), um menu típico da Toscana: trippa alla fiorentina (dobradinha, um dos pratos mais típicos da região), pici al cinghiale (massa típica da região, com ragu de javali) e morangos, pêssegos e peras dulcíssimos de sobremesa. Uma experiência que ficará na memória.

Degustamos nesta ocasião os seguintes vinhos: Morellino di Scansano Castello di Montepó, Sassoalloro e o Schidione, todos da safra 2006. Além disto, o grupo comprou e degustou em conjunto também a magnum do Schidione Oro 1997, safra especialíssima que comemorou o advento do terceiro milênio e foi chamado III Millennio.

Avignonesi

Visitamos a fattoria Le Capezzine, onde ficam as adegas para vinificação e as adegas para envelhecimento e guarda da Avignonesi, produtora de um dos mais tradicionais Vino Nobile de Montepulciano. É lá também a vinsantaia, onde fica armazenado por 10 anos em barril o internacionalmente famoso e super premiado vinho desta vinícola, o Avignonesi Vin Santo. Uma vinícola moderna e totalmente renovada, mas ao mesmo tempo muito preocupada em manter tradições, a Avignonesi nos mostrou projetos interessantes. Um deles é o Il Settonce, um vinhedo no qual as parreiras são plantadas como pequenos arbustos e não em espaldeira como é convencional, e onde as plantações hexagonais deixam as parreiras eqüidistantes uma das outras, assim recebendo insolação e ventilação iguais. Este vinhedo procura ainda recriar as características do plantio e da produção de centenas de anos atrás e toda a adubação, controle de pragas e equilíbrio de minerais no solo são feitos de forma orgânica.

Almoçamos na Tavola Comune da Capezzine, onde foi servido um menu delicioso de pratos típicos, feitos com ingredientes locais de alta qualidade, na maioria provenientes da própria fazenda, entre os quais se destacaram especialmente o capretto locale ao girarrostro (cabrito assado inteiro lentamente no forno a lenha) e o tiramisù all’ ananás (tiramisu de abacaxi), tudo acompanhado pelos vinhos de produção própria. Um almoço memorável, acho que nunca comi tanto na vida rsrs…

Degustamos nesta ocasião os seguintes vinhos: Bianco Avignonesi Toscana 2010, Rosso di Montalcino Avignonesi 2009, Vino Nobile di Montepulciano Avignonesi 2008 e o Desiderio Merlot Cortona, 2007.

Acredito que a maioria das pessoas que gosta de tomar um bom vinho tinto e não é grande conhecedora do assunto procura sempre o melhor resultado desta equação: preço versus qualidade. Assim, a grande sacada é definir a faixa de preço que você quer/pode gastar e procurar nela o que mais agrada.

Faz alguns anos que pesquiso e experimento vinhos com certa regularidade. Nesta jornada, cheguei à conclusão de que a faixa dos R$ 40,00, no Brasil, oferece a melhor relação preço versus qualidade para o meu paladar e o meu bolso – descontando-se viagens e ocasiões especiais, quando me reservo o direito de subir um pouco meu ‘cacife’ :-)

Assim, gostaria de dividir com vocês os meus cinco achados prediletos, na faixa dos R$ 40,00. São vinhos que realmente fazem parte do meu dia-a-dia e não indicações ou sugestões ao acaso. Tampouco faço aqui propaganda deste ou daquele. O único critério é o meu gosto – e o meu bolso mesmo.

Artero Tempranillo La Mancha 2008

Meu vinho campeão na relação preço versus qualidade, o Artero Tempranillo é produzido na região de La Mancha, uma das Denominaciones de Origen espanholas, pela tradicional Viñedos e Bodegas Muñoz. Coringa mesmo! Equilibrado, qualquer safra dele não decepciona. Seu preço varia de R$ 32, 50 a R$ 34,20. Importado pela Decanter em São Paulo, pode ser encontrado no Emporio Basilico de Araraquara, que entrega também para Ribeirão Preto e região.

Concha y Toro Trio Merlot / Carmenere / Cabernet Sauvignon 2006

Produzido no Valle Central, é um vinho da gigante chilena Concha y Toro, mas se destaca na profusão de rótulos desta vinícola. É elaborado sempre com três variedades, sendo que neste a merlot domina o corte. Um vinho de personalidade, muito agradável, qualquer safra dele é boa. Seu preço varia de R$ 36,00 a R$ 45,00 e pode ser encontrado em diversas lojas e supermercados em São Paulo e em Ribeirão Preto. Em Araraquara, na Casa Deliza.

Cremaschi Furlotti Reserva 2006 (Carmenere ou Cabernet Sauvignon)

Este vinho – tanto o Carmenere como o Cabernet Sauvignon – da chilena Viña Cremaschi Furlotti , é uma boa barganha pela qualidade oferecida. Só o encontramos em São Paulo e em Ribeirão Preto no supermercado Carrefour, onde nem sempre o Reserva está disponível nas prateleiras. Se achar compre, vale a pena conhecê-lo. Seu preço normalmente é de R$ 43,00.

 

Stamp of Australia Shiraz/Cabernet 2008

Da vinícola Hardy’s, maior produtora e exportadora de vinhos australianos. É um vinho fácil de agradar e dos meus prediletos por ser muito versátil. Combina com diversos pratos e vai bem até no calor. Seu preço varia de R$ 39,90 a R$ 44,90. Importado pela Aurora, pode ser encontrado no Emporio Basilico de Araraquara, que entrega também para Ribeirão Preto e região.

Finca La Linda Malbec 2008

Para quem é fã de malbec, este é uma excelente escolha. Do produtor Luigi Bosca, o Finca La Linda é um vinho premiado e costuma agradar muito. Seu preço varia de R$ 29, 00 a R$ 35,00 e pode ser encontrado em diversas lojas e supermercados e São Paulo e em Ribeirão Preto. Em Araraquara, no Emporio Basilico.

E os seus vinhos prediletos nesta faixa de preço? Adoraria outras indicações!

Nossa Turma do Vinho visitou a vinícola Villa Francioni, em São Joaquim, na serra catarinense. Lá fomos muito bem recebidos pela Daniela Freitas e pela Raquel, e nos surpreendemos positivamente com a grandeza e seriedade do negócio. Tentarei passar um pouco da impressão que tivemos na visita, que foi muito bacana!

A primeira coisa que se nota na vinícola Villa Francioni é o compromisso, senão a obsessão mesmo, com a qualidade. Desde a escolha das mudas, passando pelas instalações modernas e sofisticadas, até chegar no produto final engarrafado. Não é para menos. A Villa Francioni é antes de tudo o resultado de um sonho de um homem empreendedor, Manoel Dilor de Freitas, bem sucedido empresário e dono do grupo Cecrisa, que queria produzir em Santa Catarina um vinho de qualidade.

A suntuosidade da construção impressiona logo de cara. Não pelo luxo, mas pelo tamanho e funcionalidade: um prédio de quase 4,5 mil metros quadrados com seis níveis/andares, desenhado desta forma para facilitar o escoamento da produção pelo fluxo gravitacional. Lembrei nesta hora da vinícola do Esporão, em Portugal, construída da mesma forma. A iluminação natural foi privilegiada na construção e pouca iluminação artificial é necessária, deixando o ambiente fresco e agradável. Com exceção do piso, desenvolvido pela Cecrisa especialmente para a vinícola, todos os tijolos, materiais de acabamento do prédio e móveis são de demolição ou de segunda mão. Com seus vãos livres, vitrais e corrimões de ferro batido, a vinícola já recebeu o apelido de ‘catedral do vinho’. É um prédio bonito, mesmo.

De uma parede de vidro no prédio vê-se parte dos 26 hectares de vinhedos que ficam em São Joaquim (os restantes 24 hectares estão localizados na cidade de Bom Retiro), todos com ‘capas de chuva’ para se protegerem da geada e da neve. Na Villa Francioni são cultivadas seis variedades de uvas tintas e duas brancas. Na sua obsessão pela qualidade, a vinícola só vinifica uvas de sua própria produção. Em 2010, pretendem chegar à produção de 250 mil litros de vinho.

A produção é impecável. Cada faixa de terra recebeu um manuseio específico para cada qualidade de uva. A colheita é totalmente manual. Em seguida, todos os passos da produção são acompanhados pela equipe do laboratório, que vai formando um banco de dados com os melhores procedimentos. Nota-se também a preocupação com o investimento na contratação de bons profissionais e na apresentação do produto final nas garrafas.

Outra história bonita é a dos nomes da vinícola e de seus vinhos. Dilor de Freitas, com a convicção de que ‘por trás de todo grande homem existe uma grande mulher’, homenageou sua esposa colocando na vinícola o sobrenome italiano da família dela, Francioni. Seu vinho de base, o Joaquim, é também uma homenagem à cidade que acolheu o negócio; o Francesco é dedicado ao primeiro imigrante italiano da família Francioni a chegar no Brasil. Já o Michelli homenageia o patriarca que ficou na Itália.

Hoje, a Villa Fracioni coloca sete vinhos no mercado: os tintos Joaquim, Francesco, Villa Francioni e Michelli, todos assemblagens; um Rosé multivarietal e dois brancos Sauvignon Blanc e Chardonnay, estes três últimos com o rótulo Villa Francioni. Estão estudando ainda o lançamento no mercado de um vinho branco de sobremesa e dois espumantes extra-brut, rosé e branco.

Experimentamos todos os vinhos da Villa Francioni e gostamos especialmente do Sauvignon Blanc e do Francesco. O Michelli, do qual compramos algumas garrafas para o jantar, foi o maior destaque, muito equilibrado e com personalidade, gostoso mesmo. O único senão fica, ainda, por conta do preço. Tamanha qualidade tem obviamente um custo, especialmente em um país que não tem tradição vinífera. Acreditamos que no futuro, com ganho na escala e na experiência, a vinícola Villa Francioni – assim como demais vinícolas brasileiras sérias – poderá tornar seus vinhos competitivos com os vinhos da mesma faixa de preço chilenos e argentinos.

É possível agendar uma visita à vinícola Villa Francioni através dos telefones (49) 3233.2451, 3233.3713 ou 3233.1918. O custo da visita, R$ 20,00 por pessoa, é abatido na compra dos produtos da vinícola. As visitas podem ser feitas de quarta a domingo, nos horários das 10h, 13h30min e 15h30min.

Dois leigos, mas apaixonados por vinhos, começando uma viagem a Portugal pela região do Alentejo, provavelmente a segunda região vinícola mais importante do país depois do Douro. Resultado: entre os passeios, vamos às vinícolas!

Pesquisamos muito e ficamos com Adega da Cartuxa e com a Herdade do Esporão. A Cartuxa foi escolhida por ser uma vinícola antiga e tradicional, do grupo Fundação Eugénio de Almeida (FEA), que engarrafa o famoso Pêra Manca, um dos vinhos portugueses mais conhecidos e admirados. A Herdade do Esporão foi escolhida pelo contraste, já que se trata talvez da maior vinícola da região, além de ser dona dos vinhos Esporão, também muito conceituados no mercado.

Para quem tiver tempo, outras vinícolas interessantes no Alentejo que ficaram na vontade: as tradicionais Herdade do Mouchão e Herdade Perdigão, a moderna João Portugal Ramos e a artesanal Quinta do Mouro.

Adega da Cartuxa

Visitamos o prédio histórico da Adega Cartuxa–Quinta do Valbom, vizinha ao Convento dos Cartuxos, e que fica no local do antigo refeitório dos jesuítas que lecionavam na Universidade de Évora nos séculos XVI e XVII. É nesta sede antiga que descansam os grandes vinhos da FEA, como o Cartuxa e o Pêra Manca, tanto nos barris de carvalho como nas garrafas. Lá também é feita a visita e a degustação de vinhos e azeites.

Curioso que os vinhos nos barris descansam escutando canto gregoriano… Depois, no silêncio das caves, estes mesmos vinhos descansam nas garrafas. A arquitetura de paredes grossas e corredores laterais às grandes salas, faz com que a temperatura dentro do prédio seja praticamente constante, variando por volta dos 21º C.

Também foi legal saber que a produção vinícola da Adega da Cartuxa, assim como os demais negócios agropecuários da FEA, tem seus lucros revertidos para projetos de educação, artes e restauração do patrimônio histórico e arquitetônico da região.

Para fazer a visita na Adega da Cartuxa, escrevemos para a Enoturismo Cartuxa, que nos respondeu indicando os três tipos de visitas oferecidos pela adega:
- Visita Cartuxa – inclui visita à adega e uma prova de 3 vinhos da FEA, preço de 7,5 euros por pessoa;
- Visita São Bruno – inclui visita à adega e uma prova de 3 vinhos escolhidos pelo cliente de toda a gama da FEA, a escolha poderá ser feita a partir do site. Preço de 20 euros por pessoa;
- Visita Sto. Inácio de Loyola – inclui visita à adega e uma prova de 5 vinhos escolhidos pelo cliente de toda a gama da FEA, a escolha poderá ser feita a partir do site. Preço de 30 euros por pessoa.

Valeu a pena! O atendimento e a organização na Adega Cartuxa foram perfeitos. Provamos os vinhos escolhidos, desarrolhados na nossa frente, junto com uma degustação de três azeites produzidos pela FEA. Foi um dos passeios mais legais da viagem. E ainda deu para comprar alguns dos vinhos degustados no preço especial da vinícola.

Herdade do Esporão

A Herdade do Esporão foi uma experiência totalmente diferente! Lugar enorme, paisagens magníficas, uma sede linda e uma linha de produção de vinhos gigantesca. Quem já viu ou já tomou o Monte Velho ou o Alandra? Pois é, são produzidos lá na Herdade do Esporão.

Fizemos aqui a visita como manda o figurino, desde as plantações de uvas, passando pela fabricação propriamente dita, o descanso em barril, o engarrafamento, o repouso das garrafas nas caves e a rotulagem e embalagem dos vinhos.

Entre curiosidades da Herdade do Esporão está a plantação de tremoço no meio dos parreirais para ajudar no equilíbrio dos nutrientes do solo.

Outra coisa interessante que pouca gente deve saber é que o processo de vinificação dos vinhos Garrafeira – Private Selection, um pequeno volume perto dos outros rótulos produzidos na Herdade do Esporão, é feito separadamente e ainda envolve, hoje, a maceração das uvas pela pisa a pé! Olha a escadinha ao lado destes tanques… é aí mesmo.

Na Herdade do Esporão também é conveniente agendar a visita. Porém, mesmo enviando email duas vezes para o endereço indicado no site, não obtivemos resposta. O jeito foi telefonar (tel. +351 266 509 280) para confirmar a visita. O atendimento ao público na Herdade do Esporão foi correto, mas não caloroso como na Adega Cartuxa.

Há alternativas de visitas a escolher. A visita básica com a degustação de um vinho a escolha da casa não tem custo. Há degustações de rótulos da casa, oferecidas lá mesmo no bar/restaurante da sede da vinícola. São diversas opções, com preços variados, a partir de 15 euros por pessoa.

Na saída, uma surpresa: um quadro de Monet ao vivo. Um olival da Herdade do Esporão, onde as oliveiras repousam em um tapete de flores do campo roxas. Lindo demais!

A propósito, comprar vinhos nas vinícolas é o melhor negócio para conseguir bons preços. Se não for possível, outra boa opção são as ‘garrafeiras’, ou seja, lojas de vinhos, de preferência nas pequenas cidades. A melhor que encontramos foi o Restaurante e Garrafeira A Casa (Praça 25 de abril, 51-52, tel. +351 262 590 120) em Alcobaça. Em Lisboa, além do Club Gourmet do El Corte Inglés, encontramos os melhores preços e o melhor atendimento na Manuel Tavares, Lda. Mercearias Finas (Rua da Betesga 1A e 1B, Rossio, tel. +351 213 424 209).

Foram tantas as aventuras que renderam bons quilos a mais… mais para mim e menos para o Mike, claro :-) Mas posso dizer que aproveitamos ao máximo, fazendo desta viagem a Portugal uma experiência cultural mas também enogastronômica. Com recomendações, causos e curiosidades para contar.

E PARA COMEÇAR, APERITIVOS

Quase em todos restaurantes portugueses, assim que sentamos à mesa, são colocados os aperitivos. No mínimo pão, manteiga e azeitonas. A atitude mais sensata, pelo menos na maioria das vezes, é recusá-los. Isto porque eles pesam – no estômago (já que os pratos individuais são geralmente muito fartos) – e no bolso também. N’O Fialho em Évora, por exemplo, só o pratinho de presunto cru (maravilhoso, diga-se de passagem) acrescentou 15 euros (!) na conta final. Abaixo, uma típica mesa farta de aperitivos.

PRATO PRINCIPAL

No interior do país há muitos, muitos mesmo, restaurantes que são tocados pelo marido (que serve as mesas) e pela esposa (que geralmente fica na cozinha). Em Lisboa, cidade grande, isto já muda. E é uma delícia ser recebido e servido pelo dono, que vai dizer quais são os pratos do dia e vai saber indicar um bom vinho. Basta dizer quanto você quer gastar e do que gosta e a indicação vem certeira. E eles fazem questão de saber, ao final da refeição, se realmente gostamos do prato servido.

A maior figura da viagem encontramos no restaurante A Maria (Rua João de Deus, 12, tel +351 268 431 143), em Alandroal, cidade próxima a Évora no Alentejo. Fomos tão bem recebidos e a comida era tão boa que voltamos lá no dia seguinte! Seu Cândido nos rendeu boas risadas. Primeiro nos disse que alguns clientes brasileiros lhe tinham dito que o restaurante dele era melhor do que um ‘famoso de São Paulo, um tal de Aquarius’ (não seria Antiquarius?!?), depois nos disse que estava feliz pois um descendente de portugueses estava ‘a disputar a Presidência do Brasil, o Manoel Serra’ (não seria José Serra?!?). No primeiro dia recusei a sobremesa e disse que não podia engordar. Na saída, ele me pegou pelo braço e olhou nos meus olhos bem sério e disse: ‘A senhora não está gorda, pare com isto!’ Eu quase acreditei :-) Sua esposa, a Maria, vinha à mesa ao final da refeição e contava como fazia os pratos. Que borrego (cordeiro) maravilhoso… No segundo dia ela me convenceu a comer sobremesa, me levou atrás do balcão e me fez colocar a mão no Bolo Rançoso para ver como ainda estava quente, recém-saído do forno :-) E não me arrependi, que bolo divino… Se estiver em Évora, vale muuuito a pena ir a Alandroal e comer no A Maria.

O borrego (cordeiro) em apresentação super tradicional e ‘rústica’ no restaurante A Maria em Alandroal…

… E o borrego (cordeiro) em uma apresentação super moderna do restaurante Alma, em Lisboa.

Também comemos muito bem no Alma, em Lisboa, que foi uma indicação do @bronza, ‘amigo tuiteiro’. Confesso que ficamos surpresos no início, pois o Alma não tinha aquele ambiente ‘legítimo português’ – sendo o tipo de restaurante que, depois que você entra, poderia estar em Lisboa, Nova York ou São Paulo (atentem para a luminária – que fica girando e parece uma nuvem de verdade). Mas a cozinha do conceituado chef português Henrique Sá Pessoa é uma interpretação moderna da tradicional cozinha portuguesa. Há vários menus-degustação legais, mas quisemos escolher os pratos um a um. Além do borrego ‘moderníssimo’ da foto acima, comemos entradinhas deliciosas e um bom polvo; e uma das sobremesas da noite entrou na lista das melhores da viagem, o arroz doce perfumado com baunilha, creme de pera e raspas de chocolate negro. O vinho Alento, que tomamos no Alma, foi uma das grandes (e boas) ‘enosurpresas’ da viagem.

O outro restaurante digno de nota da viagem foi O Alcaide, na cidade de Óbidos. Também um restaurante familiar, o dono entendia muitíssimo de vinhos e tinha uma carta de vinhos enorme, que além dos rótulos vinha recheada de poemas e ditados sobre a bebida :-) A indicação do vinho, safra de 2003, foi a dedo e agradou muito. Aqui comemos o melhor prato da viagem, um fantástico polvo a lagareiro. O bacalhau recheado com queijo da Serra e acompanhado de maçãs e castanhas assadas estava divino também. O único senão do lugar foi a falta de boas sobremesas portuguesas.

PAUSA PARA UM CAFÉ

A MELHOR hora do dia. Os portugueses páram (e nós também parávamos) para o café com um docinho à tarde. O café quase sempre é excelente, bem tirado e ‘farto’, e não é tão caro como em outros países da Europa (cortava o coração tomar um espresso na Itália, às vezes ‘um dedo’ de café por 4 euros!). Bons segredos para aproveitar os melhores doces: primeiro, pastelaria cheia – onde há rotatividade e os doces são mais fresquinhos (e não dá para fazer como em Ribeirão Preto, onde a atendente da padaria avisa que aquele doce é do dia anterior…) e segundo, escolher o doce mais típico do lugar – geralmente mais fresco ainda.

A Pastelaria Conventual Pão de Rala (R Cicioso 47, tel. +351 266 707 778) em Évora foi uma das primeiras doces surpresas. Lugar bem escondidinho e fora de mão, mas uma jóia. O doce típico da região, o Pão de Rala (pão recheado com amêndoas e doce de gila, espécie de abóbora) e o Mel e Nozes (bolo de panquecas recheado de creme de ovos com mel e nozes) tinham acabado de sair do forno e estavam divinos.

Fiquei pensando neste nome tão diferente, ‘pão de rala’, que não tem a ver com nenhum dos ingredientes envolvidos na sua receita. E me veio à cabeça que talvez este nome possa ter origem no pão challah, considerando que o Alentejo abrigou uma grande população judaica, ali instalada desde o período da ocupação muçulmana. Quem sabe meus ‘amigos tuiteiros’ professores de gastronomia @aureateodoro, @BergamoM e @Gourmandise ou as amigas portuguesas do Facebook – Ameixa, Alcina e Helena – possam trazer uma luz ao tema :-)

Os travesseiros de Sintra e os pastéis de Cruz Alta, junto com os pastéis e as queijadinhas de Sintra, também ficaram entre os melhores doces, na divina pastelaria Café A Piriquita (Rua das Padarias, 1, tel. + 351 219 230 626) em Sintra.

Last but not least, os melhores pastéis de nata de Portugal, na pastelaria Pastéis de Belém, ao lado do Mosteiro dos Jerônimos em Lisboa. Estes pastéis agradam tanto os ‘locais’ como os turistas e são bem famosos, pelo que o lugar está sempre muito cheio. A melhor hora é pela manhã, bem cedo, quando os turistas ainda não chegaram e os ‘locais’ estão tomando seu primeiro café com pastel de nata do dia. Depois, mais tarde, tem que ter paciência para enfrentar fila e empurra-empurra. Mas compensa, e muito. Estávamos ‘trucando’ que aquele pastel de nata seria melhor do que outros que comemos. Pois ele é! Fresquíssimo, massa folhada fininha e crocante, recheio quente e saboroso, doce na medida certa. Vale a pena.

E o ranking completo da viagem a Portugal…

Melhores restaurantes:
- A Maria, em Alandroal
- O Alcaide, em Óbidos
- Alma, em Lisboa

Melhores pratos:
- Borrego assado com batatas d’A Maria
- Polvo a Lagareiro d’O Alcaide
- Leitão assado a moda de Covões no Martinho da Arcada de Lisboa

Melhores sobremesas:
- Manjar das Chagas do restaurante da Pousada D. João IV em Vila Viçosa
- Bolo Rançoso d’A Maria em Alandroal
- Arroz doce perfumado com baunilha, creme de pera e raspas de chocolate negro do Alma em Lisboa

Melhores doces:
- Pastel de Nata do Pastéis de Belém em Lisboa
- Pão de Rala da Pastelaria Conventual Pão de Rala em Évora
- Travesseiros de Sintra d’A Periquita em Sintra

Melhores vinhos tintos:
- Cartuxa Reserva 2006
- Pera Manca 2005
- Alento Luis Louro 2006
- Quinta dos Roques Reserva 2007
- Quinta do Portal 2003

Melhores vinhos brancos:
- Pera Manca 2007
- Esporão Private Selection 2008
- Fournier Père & Fils Sancerre 2007

Semana passada contei aqui no blog sobre a ida da minha confraria de vinho à vinícola Bonucci, em São Carlos, no interior de São Paulo. Pois encerramos a visita com chave de ouro, brincando de ser enólogos.

Vocês se lembram daqueles jogos de química que adorávamos quando crianças, que vinham com pipetas, tubos de ensaio e copos medidores? É algo parecido, mas ao invés de brincar de misturar substâncias químicas, brincamos de misturar vinhos varietais para fazer nosso próprio assemblage. Um vinho com a nossa assinatura.

O objetivo do jogo, como diz o próprio Victor Bonucci, criador do ‘kit do enólogo’, é fazer um vinho que seja superior aos seis vinhos varietais que compõem o kit: um Cabernet Sauvignon “barricado”, um Cabernet Sauvignon sem barrica, um Merlot, um Cabernet Franc, um Marselan e um Ancelotta – todos produzidos na vinícola gaúcha Larentis, onde Victor fez estágio antes de abrir sua própria vinícola.

Realmente foi interessante perceber como é complexo o trabalho do enólogo e como os vinhos varietais ‘crescem’ quando misturados entre si. É quase como preparar um prato e colocar nele os ingredientes fundamentais e os temperos na medida certa para deixá-lo equilibrado. Assim como um prato, um vinho nunca será igual a outro, depende da ‘mão’, da experiência e do talento do cozinheiro!

Formamos cinco grupos, e após tentativas e erros, cada grupo chegou na sua fórmula perfeita. Abaixo, um quadro com nossas assemblages.


GRUPO 1

CaBSv Bar – 5%
CaBSv – 35%
CaFr – 35%
MeL – 20%
MrS -
AnC – 5%

GRUPO 2

CaBSv Bar -
CaBSv – 70%
CaFr -
MeL – 25%
MrS -
AnC – 5%

GRUPO 3

CaBSv Bar – 10%
CaBSv – 10%
CaFr – 5%
MeL – 70%
MrS -
AnC – 5%

GRUPO 4

CaBSv Bar – 50%
CaBSv -
CaFr – 10%
MeL – 30%
MrS – 5%
AnC – 5%

GRUPO 5

CaBSv Bar – 50%
CaBSv – 20%
CaFr – 30%
MeL -
MrS -
AnC -

Legendas:
CaBSv Bar
– Cabernet Sauvignon “barricado”
CaBSv – Cabernet Sauvignon sem barrica
CaFr – Cabernet Franc
MeL – Merlot
MrS – Marselan
AnC – Ancelotta

OBS. Este texto foi originalmente publicado no blog Rosmarino e Prezzemolo.

Não sei se já contei que faço parte de uma confraria de degustação de vinhos, a Turma do Vinho Nelson Barbieri. Esta confraria surgiu quando morávamos em Araraquara, entre amigos que dividiam a mesma paixão. A coisa foi crescendo e hoje são mais de 10 pessoas se reunindo, sendo que alguns se mudaram de Araraquara – foram para Florianópolis, Valinhos e Ribeirão Preto (nós) – mas nossa ‘amizade enófila’ continuou forte! É uma confraria bem divertida e despretensiosa. A ideia é nos divertimos, em primeiro lugar. E em segundo lugar conhecer um pouco mais sobre vinhos, experimentar, trocar informações e impressões, encontrar ‘achados’, etc.

Recentemente, um dos membros da Turma sugeriu uma visita à Vinícola Bonucci, em São Carlos, no interior de São Paulo. Vinícola em São Carlos?? Em um primeiro momento, também estranhamos a coisa. Confesso que não tinha grandes expectativas em relação à visitação. O Brasil já não é um produtor de vinhos dos mais ‘calibrados’ e a região vinícola por excelência é a Serra Gaúcha, além da serra de Santa Catarina, entre outros poucos locais que reúnem condições apropriadas para se fazer um vinho de boa qualidade.

Mas São Carlos tem o Victor Bonucci! O Victor foi executivo de multinacional durante anos, viajou muito, bebeu centenas de vinhos e visitou dezenas de vinícolas pelo mundo. E quando se aposentou resolveu realizar um antigo sonho: montar uma vinícola nas terras que herdou da família em São Carlos. O Victor é um sonhador, sem dúvida, mas com os pés no chão e com cabeça de engenheiro. Estudou o assunto por mais de 20 anos e fez estágios em vinícolas.

Ele menciona um estudo de zoneamento da EMBRAPA que mostra as regiões ideais para produção de uva e vinho de qualidade no Estado de São Paulo. O estudo traçou um paralelo das regiões paulistas com tradicionais terroirs, e concluiu que a região de São Carlos tem semelhanças com as regiões francesas de Cognac, Agen, Toulouse e Bordeaux; assim como com Napier na Nova Zelândia. Victor frisa que não é o clima frio que propicia uma boa produção de uvas de qualidade, e sim três fatores fundamentais: a boa drenagem da terra (que lá é arenosa e tem baixo teor de argila), a insolação (S. Carlos tem 2.300 horas/ano de sol, enquanto a Serra Gaúcha tem 1.800) e a amplitude térmica (na região a temperatura varia em média 10 graus entre o dia e a noite).

As primeiras videiras, com mudas criadas a partir de matrizes francesas, foram plantadas em 2006. Hoje já são 3.000 pés de Siraz, 1.150 pés de Cabernet Sauvignon e 1.150 pés de Merlot. Victor pretende colher sua primeira safra este ano. Mas ele já testou todos os equipamentos e sua linha produção com uvas compradas no Sul do país, e já têm engarrafados alguns primeiros exemplares com rótulo da Bonucci.

É claro que há muito que aprender. A Bonucci, por exemplo, foi bastante castigada por estas chuvas de janeiro, o que acabou por afetar as parreiras. Há percalços e uma ‘história vinícola’ não se constrói em alguns anos, mesmo com semelhanças com Bordeaux, é preciso ter chão para fazer vinhos ‘competitivos’ com aqueles das regiões francesas. Mas o Victor Bonucci é daquelas pessoas que pode, sem dúvida, começar a construir uma história.

Semana que vem conto para vocês como brincamos de enólogos na Vinícola Bonucci!

OBS.Este texto foi publicado originalmente no blog Rosmarino e Prezzemolo.

ENTRE OS MUROS DE BERGAMO

Enquanto Milão foi agitado e o Lago di Como foi romântico, Bergamo foi a chave de ouro da viagem: charmoso.

Bergamo se divide em duas: a Città Bassa, que é a metrópole urbana moderna, e a Città Alta, que é a cidade velha, no alto do morro, cercada por muralhas e bem medieval. Ao redor das ruazinhas de paralelepípedos ficam restaurantes, lojas que vendem queijos e frios, confeitarias com vitrines de encher os olhos, lojas e alguns poucos hotéis – sem falar nas construções antigas lindas, como a Piazza Vecchia, o Duomo, a igreja de Santa Maria Maggiore e a Biblioteca de Bergamo. É o máximo passear por esta cidade e ficar imaginando como ela funcionava há séculos.

Para ir da Cidade Baixa para a Cidade Alta usa-se o bondinho, ou funicular.

Comemos e bebemos muítissimo bem em Bergamo. E a culinária bergamasca é super interessante nas suas particularidades. Vamos lá.

A massa típica bergamasca é o casoncelli (ou casoncèi). Assim como a nossa feijoada, sua origem é humilde, pois era feito com pedaços de massa que eram recheados com restos de carne bovina e suína. Os casoncelli são raviolis bem rústicos, enrolados a mão mesmo. O mais tradicional é o casoncelli bergamaschi con pancetta burro e salvia (com manteiga, sálvia e pancetta). É uma delícia.

Além das tortas feitas com nozes, amêndoas e frutas secas e dos doces folhados e recheados, o doce mais típico da culinária bergamasca chama-se curiosamente Polenta e Osei – que quer dizer “polenta e andorinhas” :) Mas o nome se deve unicamente ao aspecto do doce! É um bolo aromatizado com limão e baunilha, recheado com uma pasta amanteigada de chocolate e coberto com marzipã amarelo e com pequenos passarinhos também feitos de marzipã. Toda vitrine de confeitaria tem sua versão da Polenta e Osei, nos mais variados tamanhos, de um bolinho individual (como eu comi) até um bolo de 3 kg ou mais.

Este gnocchi di patate fatti in casa con funghi porcini, finferli e pinoli tostati mostra bem o traço da culinária piemontesa a base de creme de leite e manteiga e com dois tipos de funghi, mas com o toque do charme bergamasco, o cacau em pó.

Outro primo piatto bem gostoso e diferente. No menu chamava-se Creme Bruleé di Zucca e Gorgonzola, mas estava mais para um suflê mesmo :)


A sobremesa mais gostosa que comemos em Bergamo foi certamente este Tiramisù: o melhor que comi na vida, deixou saudades.

Um capítulo à parte para a Pizzeria Il Fornaio. Lotada o dia inteiro, sempre com pizzas diferentes na vitrine (a gente passava em frente só para ver o que tinha de novo), vendiam-se as pizzas aos pedaços que eram cortados pela atendente com uma tesoura (!). Os pedaços voltavam ao forno para uma tostada final e eram pesados e entregues sobre um guardanapo de papel. Até pizza de batata-frita apareceu uma vez… sim, na Itália :-)

Vejam como são lindas as vitrines de Bergamo.

Em Bergamo também tomamos o vinho mais gostoso da viagem.

Bom, por ora é só! Espero que tenham curtido conosco a viagem :)