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Ando meio cansada desta ode consumista que vem se espalhando feito praga nos últimos tempos. Hoje, lendo este post da Taís Vinhas do Ombudsmãe, percebo que não sou só eu que tenho esta birra com um dos hobbies mais cultuados pelos brasileiros – as compras.

Fico boba em ver o tamanho e a quantidade das malas dos brasileiros nos check-ins dos aeroportos! Me dá vergonha, juro… Nos EUA, a grande Meca deste povo do consumo, trocam facilmente passeios por compras. Ouvi recentemente de uma amiga que deixaram de ir aos parques da Universal Studios ‘porque senão não daria tempo de fazer compras’ – alô?? E compram nos outlets como se não houvesse amanhã. Sim, é mais barato. Mas será que precisa comprar tanta coisa?

Ontem na lavanderia uma pessoa deixava mais de 15 casacões para lavar. Detalhe: contava que a família, de quatro pessoas, tinha viajado para o frio. Não pude deixar de lembrar que minha família de quatro pessoas também acabou de voltar do frio e que estava na lavanderia buscando os QUATRO casacos que tínhamos levado.

Não é só gente dita ‘de posses’ não! Escutei um dos garotos que jogava futebol na rua, outro dia, vangloriando-se de possuir mais de 10 chuteiras. Vejo minha funcionária se endividando por causa de roupas e bijuterias novas. E celular? É um por ano! “Ah, mas a gente troca os pontos, não custa nada!” Há gente que realmente acredita nesta balela? Fora o desapego ecológico – eu me sinto mal quando jogo qualquer tipo de eletrônico no lixo, juro.

Não posso com gente que acha mais importante dar um presente caro no seu aniversário do que telefonar, se mexer para dar pessoalmente um abraço e mostrar carinho, afeto e atenção. Tem acontecido tanto ultimamente… Já percebi que este é o grande ‘barato’ de alguns amigos e há casos em que infelizmente entro na dança para não ter dissabores e recebo telefonemas eufóricos agradecendo… “Ah… não precisaaaaaaava gastar tanto comigo!!”, mas lambendo os beiços de emoção.

Sim, eu sou consumista! Assumo. Vai ter gente que me conhece bem jogando pedras no meu telhado de vidro :-) Mas a questão não é esta. É o exagero. É a vinculação do afeto aos bens materiais. É o endividamento, o cheque especial, as prestações ao invés da poupança para o futuro. Ou seja, a herança e os valores que queremos passar aos nossos filhos. Obs. Este texto foi originalmente publicado no blog A Roupa Nova do Rei.

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