Acho que nunca contei aqui que faço parte de um Clube de Cozinha. Nossa ideia foi juntar pessoas que gostam de cozinhar, aprender e testar novas receitas e não querem fazer isto sozinhas. Em grupo dá menos trabalho e é mais divertido. E tem mais gente para comer aquela montanha de coisas gostosas que “sobram” 😉

Meu grupo tem oito pessoas e nos reunimos bimestralmente. Cada participante alternadamente oferece sua casa e cada um fica encarregado de preparar uma receita ou de levar uma garrafa de vinho. A cada encontro escolhemos um tema – já fizemos um jantar italiano, um jantar francês, um jantar português e um jantar árabe. Algumas receitas vêm prontas de casa, outras são só finalizadas no local e outras ainda são feita na hora, com todas juntas. Dá confusão, fazemos bagunça, mas aprendemos muito e damos boas risadas.

Para o nosso último jantar, de tema árabe, quis preparar alguma coisa bem diferente, que eu nunca tivesse feito – e nem provado – e escolhi o shish barak. Pequenos “capeletes” recheados de carne, assados e cozidos na coalhada, o prato foi a escolha certa. Pesquisei receitas com duas amigas descendentes de árabes e ótimas cozinheiras. Com a Sossô descobri que a função das claras de ovo é não deixar o leite talhar. Nos países árabes é comum fazer a coalhada com iogurte e leite de cabra e este leite não talha como o de vaca.

Também procurei no You Tube um vídeo que me ajudasse a ter uma ideia de como começar. Mesmo na língua árabe, deu para ter uma idea da coisa 🙂 Meus “capeletes” ficaram muito saborosos, mas não pequenos e delicados como tinham que ser. Acho que para isto só muito treino mesmo.

Foi uma experiência bacana, especialmente para enfim aprender a fazer coalhada fresca e seca, que eu adoro e que servem para outros propósitos, como por exemplo este quibe labanie. Um pouco menos trabalhoso que o shish barak, neste prato os quibinhos também são colocados no molho de coalhada e ficam divinos. Recomendo a todos que façam também.

Comece a fazer a receita na véspera, pois é preciso primeiro preparar a coalhada fresca.

Coalhada fresca

3 litros de leite
1 pote (170 a 200g) de iogurte natural

Ferver o leite e desligar o fogo. Deixar esfriar até conseguir segurar na panela (uso um termômetro culinário, entre 52ºC e 54ºC). Nesta hora colocar o iogurte e mexer bem para misturar (coloco o iogurte em uma peneira e em seguida coloco a peneira na panela, mexendo bem para o iogurte ficar bem misturado ao leite). Deixar descansando de um dia para o outro, na panela bem tampada, sem mexer do lugar. Se quiser fazer mais coalhada, separe um copo da coalhada que você fez para usar no lugar do iogurte. Assim, sua coalhada vai ficando cada vez menos ácida.

Quibe labanie

quibinhos
500 g de patinho moído
500 g de trigo para quibe (pesar o trigo já hidratado)
2 colheres (chá) de sal
2 colheres (chá) de pimenta síria
1 col (sopa) de hortelã fresca picadinha

Misturar bem todos os ingredientes, fazer bolinhas e fritar. Como em casa não faço fritura por imersão nem por decreto, dourei os quibinhos em uma frigideira com um pouco de azeite.

molho
1 ½ litro de coalhada fresca
2 claras de ovo levemente batidas com 2 colheres (sopa) de amido de milho
1 colher (sopa) rasa de sal
1 colher (sopa) de manteiga
2 colheres (sopa) de azeite
3 dentes de alho picados
1 colher (chá) de hortelã seca

Em uma panela funda, cozinhar a coalhada fresca com o sal e as claras levemente batidas com o amido de milho, em fogo médio e sem parar de mexer até levantar fervura. Assim que levantar fervura, abaixar o fogo para o mínimo. Enquanto isto, em uma frigideira à parte, refogar o alho sem deixar dourar na manteiga e no azeite. Desligar o fogo e juntar o hortelã seco. Acrescentar esta mistura ao molho de coalhada.

Na hora de servir, coloque os quibinhos dentro do molho de coalhada e espere ferver novamente. Cozinhe por 3 a 5 minutos e sirva.

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13 Comentários
  1. Oi Lu!!!
    Adorei a idéia do grupo de voces…muito divertida e construtiva!!!
    Como voce sabe sou "puro sangue" de origem árabe e agregada a um igualmente puro sangue!!!
    Tanto do lado da minha mãe que é de origem siria ,como do meu pai e sogros que são libaneses xish barak ou kibe labanie são pratos mais do que comuns as nossas mesas…minha mãe faz o melhor xish barak da face da terra…
    Dependendo da região…da aldeia eles tem seu modo proprio de cozinhar e sempre acham que é o certo,obviamente!!!rsss
    Então achei que deveria dar meu "palpite"!!!
    No xish barak os capeletes não são assados…e são diretamente cozidos na coalhada…assim como no kibe …não são nem fritos e nem assados…são cozidos diretamente na coalhada…
    As claras são batidas no liquidicador com a maizena ou farinha…e antigamente eram batidas na mão e não em neve…e a explicação da minha avó é realmente para não talhar…
    Os kibes podem ser grandes(individuais)ou pequenas bolas…mas tanto de um jeito como no outro são recheados com 1 cubinho de manteiga gelada!!!
    As minhas duas avós insistiam em que a manteiga deveria ser gelada mas nunca me falaram porque…agora que eu tenho um livro de comida arabe escrito pela irmã da avó do Nando que eu descobrí…é para ser facil de manusear sem derreter….rsss…a quantidade de hortelã também é outra…para 500 g de kibe 1 xicara de hortelã na carne e 1 xicara na coalhada….
    Tenho certeza que os seus pratos ficaram ótimos…mas como representante da raça e mega acostumada a comer esses pratos quis dar minha contribuição….
    Um beijão e parabéns pelo grupo!!!
    Dri

  2. Esse clube deve ser muito bom. Gosto de encontros temáticos.
    Mostre pra gente outros pratos que já fizeram parte desses encontros.
    Comidinha árabe de vez em quando vai bem.
    Boa semana!

  3. Dri, obrigada! Como uma das minhas "gurus" para assuntos culinarísticos, minha profa. de cozinha, suas dicas valem ouro, ainda mais na culinária árabe 🙂 Já corrigi, não sei da onde eu tirei CLARAS EM NEVE… é claras batidas e só! Acho que é de tanto escrever este 'em neve' em receita de bolo saiu. Eu bato um pouco só com o fouet mesmo. E muita gente bate no liquidificador mesmo. Adorei a ideia de por a manteiga gelada no quibe… funciona super bem no 'butter burger', imagina no quibe vai ficar maravilhoso. Farei da próxima vez assim. Engraçado como cada um faz de um jeito mesmo. Na pesquisa com as cozinheiras recebi uma receita que assava os capeletes antes e uma que só cozinhava. Aí com as meninas no dia do Clube de Cozinha resolvemos fazer OS DOIS ao mesmo tempo, assar e cozinhar rsrs… Já o chef do Riad Sheraton no video coloca água e ovo inteiro no molho de coalhada e só assa os 'capeletes', depois joga o molho por cima. Vai vendo!

    Gina, nosso próximo jantar será espanhol e teremos paella, aguarde!

    Beijos,
    Lu

  4. Oi Luciana,

    Adoro pratos Árabes e apesar de aqui na Alemanha predominarem os imigrantes Turcos, noto muitas semelhanças em que alguns pratos. Outro dia até encontrei uma versão deles para o Kibe. A aparência externa era bem diferente, mas o formato era o mesmo e com recheio de carne-moída e algum tipo de noz. Muito bom! Essa sua receita ficou muito apetitosa e vale a pena copiar.

    Bjs,

  5. Lu, a receita já é atraente, mas o melhor de tudo foi a ideia de jantares temáticos onde cada amiga traz um prato. Achei ótimo. Sou chegada em jantarzinhos, tenho vários grupos e assim fica mais possível, envolvendo todas, fazer reuniões divertidas e gastronômicas.
    BJô

  6. OI LU,
    INFELIZMENTE NAO SOU FILIADA A NENHUM GRUPO.VIVO
    NO ESTADO DE CONNECTICUT USA E AQUI NAO SE FALA MUITO EM COMIDA ARABE. JA FUI CASADA COM FILHO DE LIBANESA E SIRIO. ADORO A COMIDA ARABE E ME
    ARRISCO A FAZER ALGUMA COISA.O SHISH BARAK E A MINHA PREFERIDA JA QUE NAO BEBO LEITE E UM MODO DE TOMA-LO PRAZEIROSAMENTE. PARABENS PELA INICIATIVA DE FORMAR ESSE GRUPO. BOA SORTE
    LIZ

    PS. achei por acaso sua receita, depois de muito procurar.Sempre que o faco e por intuicao
    e tem saido bom.

  7. Lu
    Fui casada com descendente de árabes, e minha sogra, apesar de brasileirissima, aprendeu muito bem a fazer os pratos e me ensinou. Depois de muitos anos sem fazer nada disso, vim de férias aos Estadosn Unidos, onde moram meus filhos, e pra matar a saudade da caçula, me arrisquei no Quibe Labanie. Por isso acabei encontrando seu Blog. Tenho a receita ensinada pela sogrinha, que infelizmente não está mais entre nós…mas na duvida, fui dar uma pesquisada…e me lembrei da clara de ovo que ela usava sim…e que não está na minha receita não sei porque. Só um detalhe: Ela dizia para colocar os quibinhos por um pouquinho só no forno, para darem uma “secada” antes de cozinhar na coalhada, só para não correr o risco de desmancharem (vai aí mais uma dica…)Conclusão: Fiz a receita, orientada também pela sua, e ficou maravilhos!!! Minha filhota adorou, e eu mais ainda!!! Parabéns pelo grupo.
    Fatima

    • Fatima, que bom que deu certo e você pode reviver um pouco a receita da sogra! Anotarei a dica do quibe um pouco no forno, acho que vai ser melhor mesmo. Abraços e volte sempre 🙂

  8. comida árabe foi feita para ser saboreada a cada dia e em todas as refeições; eu também sou, embora parcialmente “sangue puro“ pelo lado do meu pai que era libanês, e amo a culinária dos meus ancestrais. A minha filha voltou recentemente de Dubay e me deixou “de agua na boca“ com tanta coisa boa que comeu por lá, de onde trouxe doces maravilhosos, os quais eu conheço e sei os nomes e alguns condimentos que eu desconhecia, mas, pesquisei e já sei do que se trata. Parabens

  9. Oi Luciana, vi seu comentário a respeito do shishbarak, você poderia compartilhar a receita. Desde já obrigada

    • Oi Angela, não anotei a receita! A gente cozinhava junto nestes jantares e cada uma levava a sua receita. A minha foi a quibe labanie. A do shishbarak fizemos mas não anotei nada pois achei trabalhosa e não pretendia faze-la novamente rsrs… Infelizmente nano vou poder ajudá-la.

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